O MELHOR DE TODOS OS TEMPOS
Foi tudo muito rápido, da noite para o dia, os jornalistas deixaram de ter censura, os jovens ficaram com terreno livre para as suas revoltas e jogos de amor, o povo fala e age livremente. Para a história ficam os acontecimentos que levaram portugal a acordar livre para um mundo novo. A revolução saiu á rua, o povo dormia ainda, acordou manhã cedo e enquanto esfregava os olhos na telefonia alguma coisa se passava, estariam a sonhar, uns concerteza riram outros choraram, horas depois muitas coisas começaram a ser diferentes, e o povo saíu á rua"O povo Unido, Jamais será vencido", expressões até então proibidas ganhavam agora livre curso.
O 25 de abril de 1974 continua a dividir a sociedade portuguesa, sobretudo nos estratos mais velhos da população que viveram os acontecimentos. Fica o filme passo a passo. 
 No dia 24 de Abril pelas 17h30, o Grupo L34 (grupo de oficias da Academia Militar) tinha uma Missão específica, a captura do Comandante do Regimento de Cavalaria 7, Cor. António Romeiras, a principal unidade afecta ao regime. Pelas 20h, o locutor Leite Vasconcelos (em dia de folga no Limite) é convocado por Manuel Tomás para "gravar poemas", um dos seus trabalhos de rotina era precisamente gravar os poemas diariamente transmitidos pelo Limite. Carlos Albino escreve então dois textos intencionais para serem visados pelo censor, com a finalidade de «envolver» a 2ª senha. O censor autoriza textos e alinhamento. Na Renascença, são efectuadas as gravaçõe dos textos por Leite Vasconcelos que desconhece o seu objectivo. 
Pelas 21h, foram montadas escutas às redes de comunicação da GNR, LP, DGS e PSP. Igualmente foram montadas escutas telefónicas permanentes ao Ministro e Subsecretário de Estado do Exército, Chefe do Estado Maior do Exército e Ministro da Defesa. Abertura de comunicação com linha directa ao Posto e Comando da Pontinha. 
Ás 22 h está Reunido, no Regimento de Engenharia n.º 1 (RE1) na Pontinha, Lisboa, o Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas (MFA). 

1.º SINAL  22h55 A voz de João Paulo Dinis anuncia aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa "Faltam cinco minutos para as vinte e três horas, Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74 «E Depois do Adeus». Era o primeiro sinal para o início das operações militares a desencadear pelo Movimento das Forças Armadas.
23horas, Escola Prática de Artilharia, Vendas Novas. Foram presos o Comandante e 2.º Comandante da Unidade. Foram ocupadas as Centrais Rádio e Telefónica e presos os sargentos que não aderiram. Os Furriéis e cabos Milicianos aderiram na totalidade. O Cap. Santos Silva assume o Comando falando aos restantes oficiais que de imediato aderem ao movimento. 
23h30, no Batalhão de Caçadores 5 em Lisboa, o Maj. Fontão convoca os 30 Oficiais que constituiam o núcleo seleccionado e outros que se encontravam na unidade e comunica-lhes os objectivos do Movimento. Convidados a aderir fazem-no sem excepção. São mandados equipar e armar. Ao soar a meia-noite, na Escola Prática de Artilharia de Vendas Novas, formatura geral na parada sendo distribuidas funções. 
00h15, no Batalhão de Caçadores 5 em Lisboa são reunidos todos os Sargentos e Cabos Milicianos presentes na Unidade. Informados aderem e são encaminhados para se juntarem aos oficiais das respectivas Companhias. 
00H20  2.ª Senha transmitida pela rádio renascença.
Paulo Coelho é o locutor de serviço, nessa noite, no «Limite». Sem saber dos compromissos assumidos por dois dos seus colegas, Carlos Albino e Manuel Tomás, quase faz perigar a transmissão da senha à hora exacta por ter antecipado a leitura de anúncios publicitários. Mas, após alguns momentos de tensão, no final da leitura do primeiro anúncio, Manuel Tomás , também presente na cabine técnica, consegue, dando um pequeno safanão (aparentemente sem intenção) na mão do técnico de som José Videira, provocar o arranque da bobine que contém a senha. Então, pela voz previamente gravada de Leite de Vasconcelos, através dos potentes emissores da Rádio Renascença, ouve-se a primeira quadra da canção Grândola, Vila Morena, de José Afonso. Já no final da transmissão o agente da Censura, ali presente, dá sinais de que escutara algo que não previa.
 
 Entretanto o regimento de artilharia ligeira 1 (RAL1) está à entrada da Auto Estrada do Norte, reforçados por elementos do Regimento de Lanceiros 2 com capacidade de comunicação autónoma directa ao Regimento e dois Carros de Combate M-47 operacionais. Na Escola Prática de Administração Militar em Lisboa após ser ouvida a mensagem de confirmação na rádio são presos os oficiais de dia e de prevenção. O Cap. Gaspar assume o oficial de dia. Na escola prática de infantaria em Mafra é ordenada a formatura da Companhia de Intervenção.
Já perto da 1h da manhã, na Escola Prática de Cavalaria de Santarém o Maj. Costa Ferreira e os Cap. Garcia Correia, Bernardo e Aguiar tentam aliciar o 2.º Comandante da unidade, Ten.Cor. Sanches a aderir ao Movimento, sem sucesso. Todos os outros oficiais que se encontravam na unidade aderiram.
01h30, na Escola Prática de Cavalaria de Santarém foi dada ordem para acordar todo o pessoal e formar na parada onde cada Comandante de Esquadrão pôs ao corrente da situação o pessoal sob as suas ordens. A adesão foi total, ao ponto de a quase totalidade querer marchar sobre Lisboa. Na E.P.A.M. são acordados todos os oficiais, sargentos e praças. Os oficiais e sargentos foram informados dos acontecimentos e convidados a aderir. Os que recusaram foram detidos. 
No Batalhão de Caçadores 5 em Lisboa, os graduados acordam e mandam formar as Praças de forma mais discreta possível com vista a evitar o alerta das forças da GNR na Penitenciária.
As 2h da manhã no campo de tiro da serra da carregueira os capitães aderentes ao movimento têm poucos homens a sua missão é defender a todo o custo os estúdios da Emissora Nacional,  na Rua do Quelhas. Saem com duas viaturas pesadas e um jeep num total de 47 homens. No regimento de cavalaria 3 a missão é marchar sobre Lisboa com uma coluna de auto-metralhadoras e estacionar na zona da portagem da ponte sobre o Tejo. Na escola prática de infantaria a missão dos militares é ocupar e defender o Aeroporto de Lisboa. A esta hora sai de Aveiro o regimento de infantaria 10 para se juntar ao RAP3 da Figueira da foz, formando o Agrupamento Norte. Sem incidentes de maior tudo corre como previsto, da escola Prática de Administração Militar, sai uma coluna com duas viaturas ligeiras e três pesadas, com um efectivo de cerca de 100 homens armados de G3 e com metralhadoras Bren e lança granadas foguete, a missão é entrar e dominar os estúdios da RTP no Lumiar, prevendo a hipótese de cerco. 
Por esta altura os batalhões existentes já em Lisboa iniciam movimentações, é iniciado o cerco ao Quartel General da Região Militar de Lisboa em S. Sebastião e a protecção da área dos estudios do Rádio Clube Português. É estabelecido contacto com os elementos da Força Aérea que entraram nos estudios do RCP ficando a situação sob controlo. 
De Vendas Novas sai a unidade com a missão de ocupar posições junto ao Cristo-Rei em Almada por forma a bater em tiro directo qualquer coluna que pretendesse atravessar a Ponte ou qualquer navio no estuário do Tejo que se torna-se hostil, objectivo, montar segurança em Almada e controlo de acesso à Ponte sobre o Tejo.
A companhia do Campo de Instrução Militar de Santa Margarida, tinha como missão ocupar e defender as antenas do Rádio Clube Português em Porto Salvo e defender a Ponte Marechal Carmona em Vila Franca de Xira. De lamego saí uma Companhia de Comandos cujos objectivos eram conquistar e ocupar a delegação no Porto da PIDE/DGS. Esta missão iria ser alterada no sentido de reforçar o Posto de Comando alternativo no Norte. Ás 3h15 da manhã através de um telefonema entre o Ministro da Defesa, Dr. Silva Cunha e o Ministro do Exército Gen. Andrade e Silva, interceptado o Posto de Comando do Movimento fica a saber que áquela hora o Regime ainda não tinha conhecimento do desenrolar das acções.
3h30 da Escola Prática de Cavalaria de Santarém sai uma coluna em direcção a Lisboa sob o Comando do Cap. Salgueiro Maia, com a Missão de se instalar em Lisboa e controlar os acessos ao Banco de Portugal, Companhia Portuguesa Rádio Marconi e Terreiro do Paço. A coluna era composta por um Esquadrão de Reconhecimento, 10 Viaturas Blindadas, um Esquadrão de Reconhecimento, 160 homens com 12 viaturas de transporte, 2 Ambulâncias e 1 Jeep. Entretanto termina o cerco ao Quartel General da Região Militar de Lisboa é concedida ao oficial de serviço uma hora para se render. O Comandante da PSP do Porto, toma conhecimento da ocupação do Quartel General da Região Militar Norte e comunica imediatamente  para o Comando da GNR. O dispositivo de segurança em torno do Rádio Clube Português está em posição, entram no RCP que é ocupado sem incidentes. 
Ás 3h45 o Batalhão n.º 4 da GNR do Porto entra em prevenção rigorosa. O Comandante Geral da Guarda Nacional Republicana, contacta o Comandante do Batalhão para que entre em contacto com os Comandos da PSP do Porto e do Batalhão de Cavalaria n.º 6 Porto no sentido de tomar uma acção de força contra o Quartel General da Região Militar do Norte em poder do MFA. O Comandante e 2.º comandante do RC6 respectivamente, não só recusam como aderem ao Movimento.  
Pouco antes da quatro da manhã os militares cuja missão seria entrar e ocupar a RTP, na Alameda das Linhas de Torres, desarma os guardas da PSP, ocupa as instalações e monta o dispositivo de defesa. Pelas 04:00 são observadas movimentações em torno dos estúdios da RTP por parte de elementos da PSP e da DGS. São avisados que devem retirar, como não obedeceram é dada a ordem para efectuar rajadas de G3 para ao ar. A PSP retira, não voltando a causar mais problemas. A esta hora os principais objectivos estão tomados ou sob controlo. Outras forças do movimento deslocam-se para os seus objectivos. Consumada a ocupação do Aeroporto de Lisboa pode ser dada ordem para os elementos do Posto de Comando no Rádio Clube Português transmitissem o 1.º Comunicado do MFA.
É dada ordem para ser transmitido o primeiro comunicado. Foi com emoção que em todo o País centenas de militares ouviram pela voz de Joaquim Furtado o primeiro de vários comunicados que haviam sido redigidos pelo Maj. Vitor Alves. Estava previsto que os comunicados seriam lidos pelo Maj. Costa Neves, no entanto, Joaquim Furtado, locutor de serviço ao RCP, ao saber das intenções do Movimento de imediato se prontificou para o fazer. No comunicado pede-se para que a população se mantenha calma e apela-se à classe médica para ocorrer aos hospitais. Ás 4h45 é lido o segundo comunicado onde é dada especial atenção às Forças de Segurança a quem se aconselha actuação prudente, e avisam-se todos os comandos que levem os subordinados a actuarem contra as Forças do MFA que serão severamente punidos. A partir deste comunicado que já se encontrava redigido, o Ten.Cor.Lopes Pires passou a elaborar novos textos de acordo com evolução dos acontecimentos. A emissão prossegue com canções de luta, algumas delas há muito proibidas ouviram-se: José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria, Luís Cília, José Mário Branco.
Apesar da a esta hora já vários responsáveis militares e governamentais estarem ao corrente do Movimento militar é Silva Pais (Director da PIDE/DGS) que telefona ao Presidente do Conselho Marcelo Caetano informando: "Senhor Presidente, a Revolução está na rua! O caso é muito grave. Os revoltosos ocuparam já as principais emissoras de rádio e a Televisão e tomaram o Quartel General da Região Militar de Lisboa. Caçadores 5 está com eles. " Ás 5h15 é transmitido o terceiro comunicado do MFA. São renovados os apelos dos comunicados anteriores. O dia começa a amanhecer, perto das 6h da manhã é transmitido um longo comunicado que é uma condensação de todos os anteriores. Pela primeira vez são dirigidos avisos especificando-se explicitamene à Guarda Nacional Republicana, Polícia de Segurança Pública, Direcção Geral de Segurança e Legião Portuguesa, por esta altura é montado um dispositivo na Rua do Ouro e ocupados o Banco de Portugal e a Rádio Marconi, várias colunas miliatres dirigem-se para o Terreiro do Paço, ao atingirem o objectivo encontram um dispositivo da PSP, que não interferindo com a acção colaborou no isolamento a civis da área. O Cap. Salgueiro Maia transmite para o Posto de Comando: "Informo que ocupamos Toledo (T.Paço), Bruxelas (Banco de Portugal), Viena (Rádio Marconi). 
O povo começava a sair á rua, é o dia que amanhece, no ar já se adivinha o cheiro a LIBERDADE, praticamente sem um tiro, o movimento das Forças Armadas ganhava posições, "Estamos aqui para derrubar o governo", foram as palavras de Salgueiro Maia a um jornalista. No tejo, ameaçadora a fragata Gago Coutinho, não chegaria a disparar os seus canhões. Eram quase 8h da manhã.
Contrariando os apelos do Movimento das Forças Armadas o povo saiu á rua, milhares de Portugueses quiseram juntar-se ao movimento e apoiar o golpe militar.
A contagem decrescente para o inicio da queda do regime que governava o país durante meio século ja tinha começado, era impossivel voltar atrás. Não era só uma alma nova que despertava naquela manhã, eram gritos de mudança nunca antes ouvidos. 9h30 da manhã.
Jornais censurados, presos politicos, perseguições, direito de reunião não reconhecido e severamente punido, as formas mais odiosas e até ridiculas de travar e bloquear iniciativas de cidadãos estava prestes a ter um fim.
A liberdade nascia ali, acabavam-se as mordaças, garantia-se a liberdade de expressão e de pensamento, o programa do movimento era um memorando para o novo cidadão. Era impossivel agora deixar fugir esse sonho. Muitas horas de impasse,para trás momentos tensos vividos pelos miliatres, agora tudo se resumia ao quartel do Carmo. 11h
Na rua as palavras de ordem começavam a surgir, estava prestes a cair o regime de punho de aço com a sua policia politica. 14h30
Os capitães de Abril, tomando consciência da natureza do regime em que viviam e que oprimia os portugueses, e da injustiça e inutilidade em prolongar uma guerra sem sentido, decidiram abrir as portas á liberdade e á democracia,...por fim a Vitória. 16h30
...E das espingardas brotaram flores,... nascia um novo Abril em Portugal; Já não o do nacional cançonetismo, mas o da canção de intervenção, que diz" o povo é quem mais ordena" que a " cantiga é uma arma" e ainda que " há sempre alguém que diz não". Era o virar de uma página na história de Portugal. Hoje somos um Pais que mudou. 18h30

O dia terminava, para trás ficava o regime, essa seria uma noite longa para muitos outros concerteza nem dormiriam,... mas muito havia a fazer outro dia iria nascer.
 26 de Abril -  O dia seguinte
 1h30 da manhã

O fim de um regime o inicio de outro
Existem vários pontos de vista  na sociedade portuguesa em relação ao 25 de abril, mas quase todos reconhecem, de uma forma ou de outra, que o 25 de abril representou um grande salto no desenvolvimento político-social do país. Muitos tendem a pensar que o espírito inicial da revolução se perdeu e mesmo muitas das chamadas "conquistas da revolução" foram disvirtuadas. 
 Cinema
Documentário
As Armas e o Povo - (Portugal, 1975), filme que retrata a primeira semana de revolução, cobrindo os acontecimentos do 25 de Abril ao 1º de Maio de 1974.
Cravos de Abril – (Portugal, 1976), documentário histórico, de Ricardo Costa, retratando os eventos desde o 25 de Abril até ao 1º de Maio. 
Setúbal, ville rouge - (França/Portugal 1975), documentário histórico (em português e francês), de Daniel Edinger, retratando a organizacão do poder popular em Setúbal em Outubro 1975 .
Scenes from the Class Struggle in Portugal - (US/Portugal 1977), de Robert Kramer e Philip Spinelli.
Ficção
Capitães de Abril, 1997
Televisão

De igual modo, a televisão tirou partido das novas liberdades, noticiando sem censura, registando em filme, em entrevistas e documentários, momentos históricos, fazendo de um país em ebulição retratos vivos. A Revolução dos Cravos foi amplamente coberta, além da RTP, por várias televisões estrangeiras, logo após ter sido notícia de interesse internacional. 
PUBLICADO digitalblueradio às 18:25 | LINK DO POST
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