O MELHOR DE TODOS OS TEMPOS
 
" Faça-se ao mar a gaivota e leve a boa nova em sua anilha/Que enfim, na última derrota,/A nau sem leme achou a ilha "
 
Mais novos que a Madeira, os Açores, devem o seu nome a uma    ave comum no arquipélago conhecida como " açor ". 
 No extremo Sudeste do arquipélago, está Santa Maria, ou a ilha de Gonçalo Velho, a primeira a ser descoberta e povoada.
No extremo Noroeste, vê-se o Corvo  
Noutra ponta, São Miguel, uma ilha de mil encantos

Flores  
 
  No  coração do arquipélago, situa-se a Terceira  
 
           São Jorge, onde se come o belo queijo da ilha e 
se apreciam  as ricas fajãs.  
Na Graciosa, os seus vinhos e a furna de enxofre  
 
A ilha do Pico  
 
 Faial  
 
Nove ilhas neste arquipélago, qual delas a mais encantadora.  
Mas vamos a um pouco de história
O descobrimento do arquipélago dos Açores, tal como o da Madeira, é uma das questões mais controversas da história dos Descobrimentos. Entre as várias teorias sobre este facto, algumas assentam na apreciação de vários mapas genoveses produzidos desde 1351, os quais levam os historiadores a afirmar que já se conheceriam aquelas ilhas aquando do regresso das expedições às ilhas Canárias realizadas cerca de 1340-1345, no reinado de Afonso IV de Portugal. Outras referem que o descobrimento das primeiras ilhas (São Miguel, Santa Maria, Terceira) foi efectuado por marinheiros ao serviço do Infante D. Henrique, embora não haja qualquer documento escrito que por si só confirme e comprove tal facto.  
O que se sabe concretamente é que Gonçalo Velho chegou à ilha de Santa Maria em 1431, nesta altura as ilhas das Flores e do Corvo ainda não tinham sido descobertas, o que aconteceria apenas cerca de 1450, por obra de Diogo de Teive. Entretanto, o Infante D. Henrique, com o apoio da sua irmã D. Isabel de Portugal, Duquesa da Borgonha, mandou povoar a ilha de Santa Maria. Os portugueses começaram a povoar as ilhas por volta 1432, oriundos principalmente do Algarve, do Alentejo e do Minho, desde logo e dada a necessidade de defesa das pessoas, da manutenção de uma posição estratégica portuguesa no meio do Atlântico e da imensa riqueza que por esta terra passava vinda do Império Português e mais tarde também do Império Espanhol, as ilhas Açoreanas foram fortemente fortificadas.
 
Nos Açores e como forma de sustentabilidade muitas foram as tentativas de produção e comercialização, mas nos finais de 1700, regista-se o início de uma das mais expressivas e emblemáticas actividades económicas açoreanas: a caça ao cachalote e a outros cetáceos. Na ilha de São Miguel, tanto a produção de chá como a produção do tabaco, revelar-se-iam muito importantes para a economia da ilha.
 As regiões autónomas foram consagradas na Constituição Portuguesa de 1976. Mas regressemos á realidade.
A Terceira e São Miguel, são as ilhas com maior densidade citadina, Angra e Ponta Delgada, misturam o rural e o urbano, a bahia de Angra, uma espécie de abrigo natural para os viajantes. Quem passar por aqui não pode deixar de apreciar o relógio da Matriz que olha o Atlântico, o Senhor Santo Cristo dos Milagres, recolhido na sua dor de esperança, invoca-lhe a religiosidade. Os jardins e palácios , a beleza natural dos Açores. 
Elevada a cidade, por carta régia de D. João III,  Ponta Delgada deixa de ser apenas um pequeno aglomerado á beira-mar plantado e foi-se afirmando, já não é uma simples vila piscatória, mas a maior cidade dos Açores.  A cidade da Horta conserva o seu encanto,  a marina, ancoradouro de esperanças e de histórias que o mar trouxe á terra, o famoso Peter Café Sport, um dos ex-libris da cidade mais atlântica dos Açores.  
 
Angra do Heroismo agarra ferverosamente as suas tradições, as sã-joaninas são um exemplo, as ruas ficam engalanadas para os festejos, canta-se e dança-se até de madrugada no cerrado do bailão, as esplanadas da praça velha enchem-se de gente e as touradas ditam o ritmo entre os dias e as noites.  
 
Os açores em todo o seu esplêndor   
Quem passar pelos Açores não pode deixar de conhecer as suas lendas. Um dos locais mais belos desta Ilha é a Lagoa das Sete Cidades.
Reza a lenda que quando os árabes vieram do Norte de África para levar a cabo a invasão muçulmana da Península Ibérica, sete bispos cristãos que viviam no norte peninsular, algures pelos arredores de Portucale, tiveram de fugir à horda invasora. Partiram para o mar em busca da lendária e remota ilha Antília, ou Ilha das Sete Cidades, que segundo uma lenda já antiga nesses tempos, existia algures no Grande Mar Oceano Ocidental. Dessa partida mais ou menos precipitada ficou o registo na linguagem popular, ao ponto de séculos mais tarde, já depois da Reconquista cristã, os reis de Portugal terem manifestado o desejo de alcançar essa ilha perdida no mar. Dizia-se que para os lados do Oriente ficava o reino do Preste João, e para o Ocidente, no Grande Mar Ocidental ficava a ilha de Antília ou Ilha das Sete Cidades. 
Do medieval reino de Portugal partiu um dia uma caravela denominada "Nossa Senhora da Penha de França", com o objectivo de um dia encontrar essa lendária ilha perdida e para muitos encantada. A caravela navegou para Ocidente durante muito tempo, passou por grandes ondas e peixes gigantes, calmarias e tempestades. E foi depois de uma dessas tempestades, depois do desanuviar dos nevoeiros que se lhes deparou uma ilha no horizonte. Rapidamente rumaram para a nova terra avistada e pouco depois aportaram numa terra maravilhosa, coberta de verdes sem fim e de azuis celestiais. 
A caravela esteve fundeada por três dias, os marinheiros desembarcaram e com eles três frades que procuraram estabelecer relações com o monarca da ilha. Visitaram palácios, florestas, rios e lagos, e estudaram os costumes dos locais. Escutaram e aprenderam a linguagem dos habitantes, por sinal muito parecida com a que se falava no Portugal de então.
No final dos três dias de estadia em terra, os três frades e todos os marinheiros voltaram para a caravela com o objectivo de voltar ao reino de Portugal a contar ao rei a nova descoberta. No entanto, mal se começaram a afastar da costa a ilha foi repentinamente envolta por brumas, e como que por encanto desapareceu no mar. Depois de narrados os acontecimentos ao rei português, este mandou uma embaixada para estabelecer relações com a nova ilha e não a encontraram. Foram feitas muitas buscas durante muitos séculos, até que um dia como que por encanto a ilha se deparou novamente às caravelas portuguesas. Estranhamente, encontrava-se desabitada, pelo que foi ocupada pelos portugueses, que deram à caldeira central do seu vulcão mais emblemático o nome da terra lendária de Sete Cidades. Ainda hoje, por vezes, a caldeira e o seu gigantesco vulcão vivem no mundo das nuvens. Quem chega ao Miradouro da Vista do Rei, num dos rebordos da caldeira, tem uma visão deslumbrante do Vale das Sete Cidades, que por vezes aparece e desaparece nas nuvens e nevoeiros. É uma região onde as nuvens pairam, entre o céu e a terra. A luz por vezes parece difusa envolta numa névoa de estranho mistério.
  Fernando Pessoa chamou-lhes " Ilhas Afortunadas "  
Que voz vem no som das ondas
Que não é a voz do mar?
E a voz de alguém que nos fala,
Mas que, se escutarmos, cala,
Por ter havido escutar.

E só se, meio dormindo,
Sem saber de ouvir ouvimos
Que ela nos diz a esperança
A que, como uma criança
Dormente, a dormir sorrimos.

São ilhas afortunadas
São terras sem ter lugar,
Onde o Rei mora esperando.
Mas, se vamos despertando
Cala a voz, e há só o mar.
(Fernando Pessoa)
  
PUBLICADO digitalblueradio às 16:18 | LINK DO POST
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