O MELHOR DE TODOS OS TEMPOS
Foi tudo muito rápido, da noite para o dia, os jornalistas deixaram de ter censura, os jovens ficaram com terreno livre para as suas revoltas e jogos de amor, o povo fala e age livremente. Para a história ficam os acontecimentos que levaram portugal a acordar livre para um mundo novo. A revolução saiu á rua, o povo dormia ainda, acordou manhã cedo e enquanto esfregava os olhos na telefonia alguma coisa se passava, estariam a sonhar, uns concerteza riram outros choraram, horas depois muitas coisas começaram a ser diferentes, e o povo saíu á rua"O povo Unido, Jamais será vencido", expressões até então proibidas ganhavam agora livre curso.
O 25 de abril de 1974 continua a dividir a sociedade portuguesa, sobretudo nos estratos mais velhos da população que viveram os acontecimentos. Fica o filme passo a passo. 
 No dia 24 de Abril pelas 17h30, o Grupo L34 (grupo de oficias da Academia Militar) tinha uma Missão específica, a captura do Comandante do Regimento de Cavalaria 7, Cor. António Romeiras, a principal unidade afecta ao regime. Pelas 20h, o locutor Leite Vasconcelos (em dia de folga no Limite) é convocado por Manuel Tomás para "gravar poemas", um dos seus trabalhos de rotina era precisamente gravar os poemas diariamente transmitidos pelo Limite. Carlos Albino escreve então dois textos intencionais para serem visados pelo censor, com a finalidade de «envolver» a 2ª senha. O censor autoriza textos e alinhamento. Na Renascença, são efectuadas as gravaçõe dos textos por Leite Vasconcelos que desconhece o seu objectivo. 
Pelas 21h, foram montadas escutas às redes de comunicação da GNR, LP, DGS e PSP. Igualmente foram montadas escutas telefónicas permanentes ao Ministro e Subsecretário de Estado do Exército, Chefe do Estado Maior do Exército e Ministro da Defesa. Abertura de comunicação com linha directa ao Posto e Comando da Pontinha. 
Ás 22 h está Reunido, no Regimento de Engenharia n.º 1 (RE1) na Pontinha, Lisboa, o Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas (MFA). 

1.º SINAL  22h55 A voz de João Paulo Dinis anuncia aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa "Faltam cinco minutos para as vinte e três horas, Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74 «E Depois do Adeus». Era o primeiro sinal para o início das operações militares a desencadear pelo Movimento das Forças Armadas.
23horas, Escola Prática de Artilharia, Vendas Novas. Foram presos o Comandante e 2.º Comandante da Unidade. Foram ocupadas as Centrais Rádio e Telefónica e presos os sargentos que não aderiram. Os Furriéis e cabos Milicianos aderiram na totalidade. O Cap. Santos Silva assume o Comando falando aos restantes oficiais que de imediato aderem ao movimento. 
23h30, no Batalhão de Caçadores 5 em Lisboa, o Maj. Fontão convoca os 30 Oficiais que constituiam o núcleo seleccionado e outros que se encontravam na unidade e comunica-lhes os objectivos do Movimento. Convidados a aderir fazem-no sem excepção. São mandados equipar e armar. Ao soar a meia-noite, na Escola Prática de Artilharia de Vendas Novas, formatura geral na parada sendo distribuidas funções. 
00h15, no Batalhão de Caçadores 5 em Lisboa são reunidos todos os Sargentos e Cabos Milicianos presentes na Unidade. Informados aderem e são encaminhados para se juntarem aos oficiais das respectivas Companhias. 
00H20  2.ª Senha transmitida pela rádio renascença.
Paulo Coelho é o locutor de serviço, nessa noite, no «Limite». Sem saber dos compromissos assumidos por dois dos seus colegas, Carlos Albino e Manuel Tomás, quase faz perigar a transmissão da senha à hora exacta por ter antecipado a leitura de anúncios publicitários. Mas, após alguns momentos de tensão, no final da leitura do primeiro anúncio, Manuel Tomás , também presente na cabine técnica, consegue, dando um pequeno safanão (aparentemente sem intenção) na mão do técnico de som José Videira, provocar o arranque da bobine que contém a senha. Então, pela voz previamente gravada de Leite de Vasconcelos, através dos potentes emissores da Rádio Renascença, ouve-se a primeira quadra da canção Grândola, Vila Morena, de José Afonso. Já no final da transmissão o agente da Censura, ali presente, dá sinais de que escutara algo que não previa.
 
 Entretanto o regimento de artilharia ligeira 1 (RAL1) está à entrada da Auto Estrada do Norte, reforçados por elementos do Regimento de Lanceiros 2 com capacidade de comunicação autónoma directa ao Regimento e dois Carros de Combate M-47 operacionais. Na Escola Prática de Administração Militar em Lisboa após ser ouvida a mensagem de confirmação na rádio são presos os oficiais de dia e de prevenção. O Cap. Gaspar assume o oficial de dia. Na escola prática de infantaria em Mafra é ordenada a formatura da Companhia de Intervenção.
Já perto da 1h da manhã, na Escola Prática de Cavalaria de Santarém o Maj. Costa Ferreira e os Cap. Garcia Correia, Bernardo e Aguiar tentam aliciar o 2.º Comandante da unidade, Ten.Cor. Sanches a aderir ao Movimento, sem sucesso. Todos os outros oficiais que se encontravam na unidade aderiram.
01h30, na Escola Prática de Cavalaria de Santarém foi dada ordem para acordar todo o pessoal e formar na parada onde cada Comandante de Esquadrão pôs ao corrente da situação o pessoal sob as suas ordens. A adesão foi total, ao ponto de a quase totalidade querer marchar sobre Lisboa. Na E.P.A.M. são acordados todos os oficiais, sargentos e praças. Os oficiais e sargentos foram informados dos acontecimentos e convidados a aderir. Os que recusaram foram detidos. 
No Batalhão de Caçadores 5 em Lisboa, os graduados acordam e mandam formar as Praças de forma mais discreta possível com vista a evitar o alerta das forças da GNR na Penitenciária.
As 2h da manhã no campo de tiro da serra da carregueira os capitães aderentes ao movimento têm poucos homens a sua missão é defender a todo o custo os estúdios da Emissora Nacional,  na Rua do Quelhas. Saem com duas viaturas pesadas e um jeep num total de 47 homens. No regimento de cavalaria 3 a missão é marchar sobre Lisboa com uma coluna de auto-metralhadoras e estacionar na zona da portagem da ponte sobre o Tejo. Na escola prática de infantaria a missão dos militares é ocupar e defender o Aeroporto de Lisboa. A esta hora sai de Aveiro o regimento de infantaria 10 para se juntar ao RAP3 da Figueira da foz, formando o Agrupamento Norte. Sem incidentes de maior tudo corre como previsto, da escola Prática de Administração Militar, sai uma coluna com duas viaturas ligeiras e três pesadas, com um efectivo de cerca de 100 homens armados de G3 e com metralhadoras Bren e lança granadas foguete, a missão é entrar e dominar os estúdios da RTP no Lumiar, prevendo a hipótese de cerco. 
Por esta altura os batalhões existentes já em Lisboa iniciam movimentações, é iniciado o cerco ao Quartel General da Região Militar de Lisboa em S. Sebastião e a protecção da área dos estudios do Rádio Clube Português. É estabelecido contacto com os elementos da Força Aérea que entraram nos estudios do RCP ficando a situação sob controlo. 
De Vendas Novas sai a unidade com a missão de ocupar posições junto ao Cristo-Rei em Almada por forma a bater em tiro directo qualquer coluna que pretendesse atravessar a Ponte ou qualquer navio no estuário do Tejo que se torna-se hostil, objectivo, montar segurança em Almada e controlo de acesso à Ponte sobre o Tejo.
A companhia do Campo de Instrução Militar de Santa Margarida, tinha como missão ocupar e defender as antenas do Rádio Clube Português em Porto Salvo e defender a Ponte Marechal Carmona em Vila Franca de Xira. De lamego saí uma Companhia de Comandos cujos objectivos eram conquistar e ocupar a delegação no Porto da PIDE/DGS. Esta missão iria ser alterada no sentido de reforçar o Posto de Comando alternativo no Norte. Ás 3h15 da manhã através de um telefonema entre o Ministro da Defesa, Dr. Silva Cunha e o Ministro do Exército Gen. Andrade e Silva, interceptado o Posto de Comando do Movimento fica a saber que áquela hora o Regime ainda não tinha conhecimento do desenrolar das acções.
3h30 da Escola Prática de Cavalaria de Santarém sai uma coluna em direcção a Lisboa sob o Comando do Cap. Salgueiro Maia, com a Missão de se instalar em Lisboa e controlar os acessos ao Banco de Portugal, Companhia Portuguesa Rádio Marconi e Terreiro do Paço. A coluna era composta por um Esquadrão de Reconhecimento, 10 Viaturas Blindadas, um Esquadrão de Reconhecimento, 160 homens com 12 viaturas de transporte, 2 Ambulâncias e 1 Jeep. Entretanto termina o cerco ao Quartel General da Região Militar de Lisboa é concedida ao oficial de serviço uma hora para se render. O Comandante da PSP do Porto, toma conhecimento da ocupação do Quartel General da Região Militar Norte e comunica imediatamente  para o Comando da GNR. O dispositivo de segurança em torno do Rádio Clube Português está em posição, entram no RCP que é ocupado sem incidentes. 
Ás 3h45 o Batalhão n.º 4 da GNR do Porto entra em prevenção rigorosa. O Comandante Geral da Guarda Nacional Republicana, contacta o Comandante do Batalhão para que entre em contacto com os Comandos da PSP do Porto e do Batalhão de Cavalaria n.º 6 Porto no sentido de tomar uma acção de força contra o Quartel General da Região Militar do Norte em poder do MFA. O Comandante e 2.º comandante do RC6 respectivamente, não só recusam como aderem ao Movimento.  
Pouco antes da quatro da manhã os militares cuja missão seria entrar e ocupar a RTP, na Alameda das Linhas de Torres, desarma os guardas da PSP, ocupa as instalações e monta o dispositivo de defesa. Pelas 04:00 são observadas movimentações em torno dos estúdios da RTP por parte de elementos da PSP e da DGS. São avisados que devem retirar, como não obedeceram é dada a ordem para efectuar rajadas de G3 para ao ar. A PSP retira, não voltando a causar mais problemas. A esta hora os principais objectivos estão tomados ou sob controlo. Outras forças do movimento deslocam-se para os seus objectivos. Consumada a ocupação do Aeroporto de Lisboa pode ser dada ordem para os elementos do Posto de Comando no Rádio Clube Português transmitissem o 1.º Comunicado do MFA.
É dada ordem para ser transmitido o primeiro comunicado. Foi com emoção que em todo o País centenas de militares ouviram pela voz de Joaquim Furtado o primeiro de vários comunicados que haviam sido redigidos pelo Maj. Vitor Alves. Estava previsto que os comunicados seriam lidos pelo Maj. Costa Neves, no entanto, Joaquim Furtado, locutor de serviço ao RCP, ao saber das intenções do Movimento de imediato se prontificou para o fazer. No comunicado pede-se para que a população se mantenha calma e apela-se à classe médica para ocorrer aos hospitais. Ás 4h45 é lido o segundo comunicado onde é dada especial atenção às Forças de Segurança a quem se aconselha actuação prudente, e avisam-se todos os comandos que levem os subordinados a actuarem contra as Forças do MFA que serão severamente punidos. A partir deste comunicado que já se encontrava redigido, o Ten.Cor.Lopes Pires passou a elaborar novos textos de acordo com evolução dos acontecimentos. A emissão prossegue com canções de luta, algumas delas há muito proibidas ouviram-se: José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria, Luís Cília, José Mário Branco.
Apesar da a esta hora já vários responsáveis militares e governamentais estarem ao corrente do Movimento militar é Silva Pais (Director da PIDE/DGS) que telefona ao Presidente do Conselho Marcelo Caetano informando: "Senhor Presidente, a Revolução está na rua! O caso é muito grave. Os revoltosos ocuparam já as principais emissoras de rádio e a Televisão e tomaram o Quartel General da Região Militar de Lisboa. Caçadores 5 está com eles. " Ás 5h15 é transmitido o terceiro comunicado do MFA. São renovados os apelos dos comunicados anteriores. O dia começa a amanhecer, perto das 6h da manhã é transmitido um longo comunicado que é uma condensação de todos os anteriores. Pela primeira vez são dirigidos avisos especificando-se explicitamene à Guarda Nacional Republicana, Polícia de Segurança Pública, Direcção Geral de Segurança e Legião Portuguesa, por esta altura é montado um dispositivo na Rua do Ouro e ocupados o Banco de Portugal e a Rádio Marconi, várias colunas miliatres dirigem-se para o Terreiro do Paço, ao atingirem o objectivo encontram um dispositivo da PSP, que não interferindo com a acção colaborou no isolamento a civis da área. O Cap. Salgueiro Maia transmite para o Posto de Comando: "Informo que ocupamos Toledo (T.Paço), Bruxelas (Banco de Portugal), Viena (Rádio Marconi). 
O povo começava a sair á rua, é o dia que amanhece, no ar já se adivinha o cheiro a LIBERDADE, praticamente sem um tiro, o movimento das Forças Armadas ganhava posições, "Estamos aqui para derrubar o governo", foram as palavras de Salgueiro Maia a um jornalista. No tejo, ameaçadora a fragata Gago Coutinho, não chegaria a disparar os seus canhões. Eram quase 8h da manhã.
Contrariando os apelos do Movimento das Forças Armadas o povo saiu á rua, milhares de Portugueses quiseram juntar-se ao movimento e apoiar o golpe militar.
A contagem decrescente para o inicio da queda do regime que governava o país durante meio século ja tinha começado, era impossivel voltar atrás. Não era só uma alma nova que despertava naquela manhã, eram gritos de mudança nunca antes ouvidos. 9h30 da manhã.
Jornais censurados, presos politicos, perseguições, direito de reunião não reconhecido e severamente punido, as formas mais odiosas e até ridiculas de travar e bloquear iniciativas de cidadãos estava prestes a ter um fim.
A liberdade nascia ali, acabavam-se as mordaças, garantia-se a liberdade de expressão e de pensamento, o programa do movimento era um memorando para o novo cidadão. Era impossivel agora deixar fugir esse sonho. Muitas horas de impasse,para trás momentos tensos vividos pelos miliatres, agora tudo se resumia ao quartel do Carmo. 11h
Na rua as palavras de ordem começavam a surgir, estava prestes a cair o regime de punho de aço com a sua policia politica. 14h30
Os capitães de Abril, tomando consciência da natureza do regime em que viviam e que oprimia os portugueses, e da injustiça e inutilidade em prolongar uma guerra sem sentido, decidiram abrir as portas á liberdade e á democracia,...por fim a Vitória. 16h30
...E das espingardas brotaram flores,... nascia um novo Abril em Portugal; Já não o do nacional cançonetismo, mas o da canção de intervenção, que diz" o povo é quem mais ordena" que a " cantiga é uma arma" e ainda que " há sempre alguém que diz não". Era o virar de uma página na história de Portugal. Hoje somos um Pais que mudou. 18h30

O dia terminava, para trás ficava o regime, essa seria uma noite longa para muitos outros concerteza nem dormiriam,... mas muito havia a fazer outro dia iria nascer.
 26 de Abril -  O dia seguinte
 1h30 da manhã

O fim de um regime o inicio de outro
Existem vários pontos de vista  na sociedade portuguesa em relação ao 25 de abril, mas quase todos reconhecem, de uma forma ou de outra, que o 25 de abril representou um grande salto no desenvolvimento político-social do país. Muitos tendem a pensar que o espírito inicial da revolução se perdeu e mesmo muitas das chamadas "conquistas da revolução" foram disvirtuadas. 
 Cinema
Documentário
As Armas e o Povo - (Portugal, 1975), filme que retrata a primeira semana de revolução, cobrindo os acontecimentos do 25 de Abril ao 1º de Maio de 1974.
Cravos de Abril – (Portugal, 1976), documentário histórico, de Ricardo Costa, retratando os eventos desde o 25 de Abril até ao 1º de Maio. 
Setúbal, ville rouge - (França/Portugal 1975), documentário histórico (em português e francês), de Daniel Edinger, retratando a organizacão do poder popular em Setúbal em Outubro 1975 .
Scenes from the Class Struggle in Portugal - (US/Portugal 1977), de Robert Kramer e Philip Spinelli.
Ficção
Capitães de Abril, 1997
Televisão

De igual modo, a televisão tirou partido das novas liberdades, noticiando sem censura, registando em filme, em entrevistas e documentários, momentos históricos, fazendo de um país em ebulição retratos vivos. A Revolução dos Cravos foi amplamente coberta, além da RTP, por várias televisões estrangeiras, logo após ter sido notícia de interesse internacional. 
PUBLICADO digitalblueradio às 18:25 | LINK DO POST
Foi tudo muito rápido, da noite para o dia, os jornalistas deixaram de ter censura, os jovens ficaram com terreno livre para as suas revoltas e jogos de amor, o povo fala e age livremente. Para a história ficam os acontecimentos que levaram portugal a acordar livre para um mundo novo. A revolução saiu á rua, o povo dormia ainda, acordou manhã cedo e enquanto esfregava os olhos na telefonia alguma coisa se passava, estariam a sonhar, uns concerteza riram outros choraram, horas depois muitas coisas começaram a ser diferentes, e o povo saíu á rua"O povo Unido, Jamais será vencido", expressões até então proibidas ganhavam agora livre curso.
O 25 de abril de 1974 continua a dividir a sociedade portuguesa, sobretudo nos estratos mais velhos da população que viveram os acontecimentos. Fica o filme passo a passo. 
 No dia 24 de Abril pelas 17h30, o Grupo L34 (grupo de oficias da Academia Militar) tinha uma Missão específica, a captura do Comandante do Regimento de Cavalaria 7, Cor. António Romeiras, a principal unidade afecta ao regime. Pelas 20h, o locutor Leite Vasconcelos (em dia de folga no Limite) é convocado por Manuel Tomás para "gravar poemas", um dos seus trabalhos de rotina era precisamente gravar os poemas diariamente transmitidos pelo Limite. Carlos Albino escreve então dois textos intencionais para serem visados pelo censor, com a finalidade de «envolver» a 2ª senha. O censor autoriza textos e alinhamento. Na Renascença, são efectuadas as gravaçõe dos textos por Leite Vasconcelos que desconhece o seu objectivo. 
Pelas 21h, foram montadas escutas às redes de comunicação da GNR, LP, DGS e PSP. Igualmente foram montadas escutas telefónicas permanentes ao Ministro e Subsecretário de Estado do Exército, Chefe do Estado Maior do Exército e Ministro da Defesa. Abertura de comunicação com linha directa ao Posto e Comando da Pontinha. 
Ás 22 h está Reunido, no Regimento de Engenharia n.º 1 (RE1) na Pontinha, Lisboa, o Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas (MFA). 

1.º SINAL  22h55 A voz de João Paulo Dinis anuncia aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa "Faltam cinco minutos para as vinte e três horas, Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74 «E Depois do Adeus». Era o primeiro sinal para o início das operações militares a desencadear pelo Movimento das Forças Armadas.
23horas, Escola Prática de Artilharia, Vendas Novas. Foram presos o Comandante e 2.º Comandante da Unidade. Foram ocupadas as Centrais Rádio e Telefónica e presos os sargentos que não aderiram. Os Furriéis e cabos Milicianos aderiram na totalidade. O Cap. Santos Silva assume o Comando falando aos restantes oficiais que de imediato aderem ao movimento. 
23h30, no Batalhão de Caçadores 5 em Lisboa, o Maj. Fontão convoca os 30 Oficiais que constituiam o núcleo seleccionado e outros que se encontravam na unidade e comunica-lhes os objectivos do Movimento. Convidados a aderir fazem-no sem excepção. São mandados equipar e armar. Ao soar a meia-noite, na Escola Prática de Artilharia de Vendas Novas, formatura geral na parada sendo distribuidas funções. 
00h15, no Batalhão de Caçadores 5 em Lisboa são reunidos todos os Sargentos e Cabos Milicianos presentes na Unidade. Informados aderem e são encaminhados para se juntarem aos oficiais das respectivas Companhias. 
00H20  2.ª Senha transmitida pela rádio renascença.
Paulo Coelho é o locutor de serviço, nessa noite, no «Limite». Sem saber dos compromissos assumidos por dois dos seus colegas, Carlos Albino e Manuel Tomás, quase faz perigar a transmissão da senha à hora exacta por ter antecipado a leitura de anúncios publicitários. Mas, após alguns momentos de tensão, no final da leitura do primeiro anúncio, Manuel Tomás , também presente na cabine técnica, consegue, dando um pequeno safanão (aparentemente sem intenção) na mão do técnico de som José Videira, provocar o arranque da bobine que contém a senha. Então, pela voz previamente gravada de Leite de Vasconcelos, através dos potentes emissores da Rádio Renascença, ouve-se a primeira quadra da canção Grândola, Vila Morena, de José Afonso. Já no final da transmissão o agente da Censura, ali presente, dá sinais de que escutara algo que não previa.
 
 Entretanto o regimento de artilharia ligeira 1 (RAL1) está à entrada da Auto Estrada do Norte, reforçados por elementos do Regimento de Lanceiros 2 com capacidade de comunicação autónoma directa ao Regimento e dois Carros de Combate M-47 operacionais. Na Escola Prática de Administração Militar em Lisboa após ser ouvida a mensagem de confirmação na rádio são presos os oficiais de dia e de prevenção. O Cap. Gaspar assume o oficial de dia. Na escola prática de infantaria em Mafra é ordenada a formatura da Companhia de Intervenção.
Já perto da 1h da manhã, na Escola Prática de Cavalaria de Santarém o Maj. Costa Ferreira e os Cap. Garcia Correia, Bernardo e Aguiar tentam aliciar o 2.º Comandante da unidade, Ten.Cor. Sanches a aderir ao Movimento, sem sucesso. Todos os outros oficiais que se encontravam na unidade aderiram.
01h30, na Escola Prática de Cavalaria de Santarém foi dada ordem para acordar todo o pessoal e formar na parada onde cada Comandante de Esquadrão pôs ao corrente da situação o pessoal sob as suas ordens. A adesão foi total, ao ponto de a quase totalidade querer marchar sobre Lisboa. Na E.P.A.M. são acordados todos os oficiais, sargentos e praças. Os oficiais e sargentos foram informados dos acontecimentos e convidados a aderir. Os que recusaram foram detidos. 
No Batalhão de Caçadores 5 em Lisboa, os graduados acordam e mandam formar as Praças de forma mais discreta possível com vista a evitar o alerta das forças da GNR na Penitenciária.
As 2h da manhã no campo de tiro da serra da carregueira os capitães aderentes ao movimento têm poucos homens a sua missão é defender a todo o custo os estúdios da Emissora Nacional,  na Rua do Quelhas. Saem com duas viaturas pesadas e um jeep num total de 47 homens. No regimento de cavalaria 3 a missão é marchar sobre Lisboa com uma coluna de auto-metralhadoras e estacionar na zona da portagem da ponte sobre o Tejo. Na escola prática de infantaria a missão dos militares é ocupar e defender o Aeroporto de Lisboa. A esta hora sai de Aveiro o regimento de infantaria 10 para se juntar ao RAP3 da Figueira da foz, formando o Agrupamento Norte. Sem incidentes de maior tudo corre como previsto, da escola Prática de Administração Militar, sai uma coluna com duas viaturas ligeiras e três pesadas, com um efectivo de cerca de 100 homens armados de G3 e com metralhadoras Bren e lança granadas foguete, a missão é entrar e dominar os estúdios da RTP no Lumiar, prevendo a hipótese de cerco. 
Por esta altura os batalhões existentes já em Lisboa iniciam movimentações, é iniciado o cerco ao Quartel General da Região Militar de Lisboa em S. Sebastião e a protecção da área dos estudios do Rádio Clube Português. É estabelecido contacto com os elementos da Força Aérea que entraram nos estudios do RCP ficando a situação sob controlo. 
De Vendas Novas sai a unidade com a missão de ocupar posições junto ao Cristo-Rei em Almada por forma a bater em tiro directo qualquer coluna que pretendesse atravessar a Ponte ou qualquer navio no estuário do Tejo que se torna-se hostil, objectivo, montar segurança em Almada e controlo de acesso à Ponte sobre o Tejo.
A companhia do Campo de Instrução Militar de Santa Margarida, tinha como missão ocupar e defender as antenas do Rádio Clube Português em Porto Salvo e defender a Ponte Marechal Carmona em Vila Franca de Xira. De lamego saí uma Companhia de Comandos cujos objectivos eram conquistar e ocupar a delegação no Porto da PIDE/DGS. Esta missão iria ser alterada no sentido de reforçar o Posto de Comando alternativo no Norte. Ás 3h15 da manhã através de um telefonema entre o Ministro da Defesa, Dr. Silva Cunha e o Ministro do Exército Gen. Andrade e Silva, interceptado o Posto de Comando do Movimento fica a saber que áquela hora o Regime ainda não tinha conhecimento do desenrolar das acções.
3h30 da Escola Prática de Cavalaria de Santarém sai uma coluna em direcção a Lisboa sob o Comando do Cap. Salgueiro Maia, com a Missão de se instalar em Lisboa e controlar os acessos ao Banco de Portugal, Companhia Portuguesa Rádio Marconi e Terreiro do Paço. A coluna era composta por um Esquadrão de Reconhecimento, 10 Viaturas Blindadas, um Esquadrão de Reconhecimento, 160 homens com 12 viaturas de transporte, 2 Ambulâncias e 1 Jeep. Entretanto termina o cerco ao Quartel General da Região Militar de Lisboa é concedida ao oficial de serviço uma hora para se render. O Comandante da PSP do Porto, toma conhecimento da ocupação do Quartel General da Região Militar Norte e comunica imediatamente  para o Comando da GNR. O dispositivo de segurança em torno do Rádio Clube Português está em posição, entram no RCP que é ocupado sem incidentes. 
Ás 3h45 o Batalhão n.º 4 da GNR do Porto entra em prevenção rigorosa. O Comandante Geral da Guarda Nacional Republicana, contacta o Comandante do Batalhão para que entre em contacto com os Comandos da PSP do Porto e do Batalhão de Cavalaria n.º 6 Porto no sentido de tomar uma acção de força contra o Quartel General da Região Militar do Norte em poder do MFA. O Comandante e 2.º comandante do RC6 respectivamente, não só recusam como aderem ao Movimento.  
Pouco antes da quatro da manhã os militares cuja missão seria entrar e ocupar a RTP, na Alameda das Linhas de Torres, desarma os guardas da PSP, ocupa as instalações e monta o dispositivo de defesa. Pelas 04:00 são observadas movimentações em torno dos estúdios da RTP por parte de elementos da PSP e da DGS. São avisados que devem retirar, como não obedeceram é dada a ordem para efectuar rajadas de G3 para ao ar. A PSP retira, não voltando a causar mais problemas. A esta hora os principais objectivos estão tomados ou sob controlo. Outras forças do movimento deslocam-se para os seus objectivos. Consumada a ocupação do Aeroporto de Lisboa pode ser dada ordem para os elementos do Posto de Comando no Rádio Clube Português transmitissem o 1.º Comunicado do MFA.
É dada ordem para ser transmitido o primeiro comunicado. Foi com emoção que em todo o País centenas de militares ouviram pela voz de Joaquim Furtado o primeiro de vários comunicados que haviam sido redigidos pelo Maj. Vitor Alves. Estava previsto que os comunicados seriam lidos pelo Maj. Costa Neves, no entanto, Joaquim Furtado, locutor de serviço ao RCP, ao saber das intenções do Movimento de imediato se prontificou para o fazer. No comunicado pede-se para que a população se mantenha calma e apela-se à classe médica para ocorrer aos hospitais. Ás 4h45 é lido o segundo comunicado onde é dada especial atenção às Forças de Segurança a quem se aconselha actuação prudente, e avisam-se todos os comandos que levem os subordinados a actuarem contra as Forças do MFA que serão severamente punidos. A partir deste comunicado que já se encontrava redigido, o Ten.Cor.Lopes Pires passou a elaborar novos textos de acordo com evolução dos acontecimentos. A emissão prossegue com canções de luta, algumas delas há muito proibidas ouviram-se: José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria, Luís Cília, José Mário Branco.
Apesar da a esta hora já vários responsáveis militares e governamentais estarem ao corrente do Movimento militar é Silva Pais (Director da PIDE/DGS) que telefona ao Presidente do Conselho Marcelo Caetano informando: "Senhor Presidente, a Revolução está na rua! O caso é muito grave. Os revoltosos ocuparam já as principais emissoras de rádio e a Televisão e tomaram o Quartel General da Região Militar de Lisboa. Caçadores 5 está com eles. " Ás 5h15 é transmitido o terceiro comunicado do MFA. São renovados os apelos dos comunicados anteriores. O dia começa a amanhecer, perto das 6h da manhã é transmitido um longo comunicado que é uma condensação de todos os anteriores. Pela primeira vez são dirigidos avisos especificando-se explicitamene à Guarda Nacional Republicana, Polícia de Segurança Pública, Direcção Geral de Segurança e Legião Portuguesa, por esta altura é montado um dispositivo na Rua do Ouro e ocupados o Banco de Portugal e a Rádio Marconi, várias colunas miliatres dirigem-se para o Terreiro do Paço, ao atingirem o objectivo encontram um dispositivo da PSP, que não interferindo com a acção colaborou no isolamento a civis da área. O Cap. Salgueiro Maia transmite para o Posto de Comando: "Informo que ocupamos Toledo (T.Paço), Bruxelas (Banco de Portugal), Viena (Rádio Marconi). 
O povo começava a sair á rua, é o dia que amanhece, no ar já se adivinha o cheiro a LIBERDADE, praticamente sem um tiro, o movimento das Forças Armadas ganhava posições, "Estamos aqui para derrubar o governo", foram as palavras de Salgueiro Maia a um jornalista. No tejo, ameaçadora a fragata Gago Coutinho, não chegaria a disparar os seus canhões. Eram quase 8h da manhã.
Contrariando os apelos do Movimento das Forças Armadas o povo saiu á rua, milhares de Portugueses quiseram juntar-se ao movimento e apoiar o golpe militar.
A contagem decrescente para o inicio da queda do regime que governava o país durante meio século ja tinha começado, era impossivel voltar atrás. Não era só uma alma nova que despertava naquela manhã, eram gritos de mudança nunca antes ouvidos. 9h30 da manhã.
Jornais censurados, presos politicos, perseguições, direito de reunião não reconhecido e severamente punido, as formas mais odiosas e até ridiculas de travar e bloquear iniciativas de cidadãos estava prestes a ter um fim.
A liberdade nascia ali, acabavam-se as mordaças, garantia-se a liberdade de expressão e de pensamento, o programa do movimento era um memorando para o novo cidadão. Era impossivel agora deixar fugir esse sonho. Muitas horas de impasse,para trás momentos tensos vividos pelos miliatres, agora tudo se resumia ao quartel do Carmo. 11h
Na rua as palavras de ordem começavam a surgir, estava prestes a cair o regime de punho de aço com a sua policia politica. 14h30
Os capitães de Abril, tomando consciência da natureza do regime em que viviam e que oprimia os portugueses, e da injustiça e inutilidade em prolongar uma guerra sem sentido, decidiram abrir as portas á liberdade e á democracia,...por fim a Vitória. 16h30
...E das espingardas brotaram flores,... nascia um novo Abril em Portugal; Já não o do nacional cançonetismo, mas o da canção de intervenção, que diz" o povo é quem mais ordena" que a " cantiga é uma arma" e ainda que " há sempre alguém que diz não". Era o virar de uma página na história de Portugal. Hoje somos um Pais que mudou. 18h30

O dia terminava, para trás ficava o regime, essa seria uma noite longa para muitos outros concerteza nem dormiriam,... mas muito havia a fazer outro dia iria nascer.
 26 de Abril -  O dia seguinte
 1h30 da manhã

O fim de um regime o inicio de outro
Existem vários pontos de vista  na sociedade portuguesa em relação ao 25 de abril, mas quase todos reconhecem, de uma forma ou de outra, que o 25 de abril representou um grande salto no desenvolvimento político-social do país. Muitos tendem a pensar que o espírito inicial da revolução se perdeu e mesmo muitas das chamadas "conquistas da revolução" foram disvirtuadas. 
 Cinema
Documentário
As Armas e o Povo - (Portugal, 1975), filme que retrata a primeira semana de revolução, cobrindo os acontecimentos do 25 de Abril ao 1º de Maio de 1974.
Cravos de Abril – (Portugal, 1976), documentário histórico, de Ricardo Costa, retratando os eventos desde o 25 de Abril até ao 1º de Maio. 
Setúbal, ville rouge - (França/Portugal 1975), documentário histórico (em português e francês), de Daniel Edinger, retratando a organizacão do poder popular em Setúbal em Outubro 1975 .
Scenes from the Class Struggle in Portugal - (US/Portugal 1977), de Robert Kramer e Philip Spinelli.
Ficção
Capitães de Abril, 1997
Televisão

De igual modo, a televisão tirou partido das novas liberdades, noticiando sem censura, registando em filme, em entrevistas e documentários, momentos históricos, fazendo de um país em ebulição retratos vivos. A Revolução dos Cravos foi amplamente coberta, além da RTP, por várias televisões estrangeiras, logo após ter sido notícia de interesse internacional. 
PUBLICADO digitalblueradio às 18:25 | LINK DO POST
Foi tudo muito rápido, da noite para o dia, os jornalistas deixaram de ter censura, os jovens ficaram com terreno livre para as suas revoltas e jogos de amor, o povo fala e age livremente. Para a história ficam os acontecimentos que levaram portugal a acordar livre para um mundo novo. A revolução saiu á rua, o povo dormia ainda, acordou manhã cedo e enquanto esfregava os olhos na telefonia alguma coisa se passava, estariam a sonhar, uns concerteza riram outros choraram, horas depois muitas coisas começaram a ser diferentes, e o povo saíu á rua"O povo Unido, Jamais será vencido", expressões até então proibidas ganhavam agora livre curso.
O 25 de abril de 1974 continua a dividir a sociedade portuguesa, sobretudo nos estratos mais velhos da população que viveram os acontecimentos. Fica o filme passo a passo. 
 No dia 24 de Abril pelas 17h30, o Grupo L34 (grupo de oficias da Academia Militar) tinha uma Missão específica, a captura do Comandante do Regimento de Cavalaria 7, Cor. António Romeiras, a principal unidade afecta ao regime. Pelas 20h, o locutor Leite Vasconcelos (em dia de folga no Limite) é convocado por Manuel Tomás para "gravar poemas", um dos seus trabalhos de rotina era precisamente gravar os poemas diariamente transmitidos pelo Limite. Carlos Albino escreve então dois textos intencionais para serem visados pelo censor, com a finalidade de «envolver» a 2ª senha. O censor autoriza textos e alinhamento. Na Renascença, são efectuadas as gravaçõe dos textos por Leite Vasconcelos que desconhece o seu objectivo. 
Pelas 21h, foram montadas escutas às redes de comunicação da GNR, LP, DGS e PSP. Igualmente foram montadas escutas telefónicas permanentes ao Ministro e Subsecretário de Estado do Exército, Chefe do Estado Maior do Exército e Ministro da Defesa. Abertura de comunicação com linha directa ao Posto e Comando da Pontinha. 
Ás 22 h está Reunido, no Regimento de Engenharia n.º 1 (RE1) na Pontinha, Lisboa, o Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas (MFA). 

1.º SINAL  22h55 A voz de João Paulo Dinis anuncia aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa "Faltam cinco minutos para as vinte e três horas, Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74 «E Depois do Adeus». Era o primeiro sinal para o início das operações militares a desencadear pelo Movimento das Forças Armadas.
23horas, Escola Prática de Artilharia, Vendas Novas. Foram presos o Comandante e 2.º Comandante da Unidade. Foram ocupadas as Centrais Rádio e Telefónica e presos os sargentos que não aderiram. Os Furriéis e cabos Milicianos aderiram na totalidade. O Cap. Santos Silva assume o Comando falando aos restantes oficiais que de imediato aderem ao movimento. 
23h30, no Batalhão de Caçadores 5 em Lisboa, o Maj. Fontão convoca os 30 Oficiais que constituiam o núcleo seleccionado e outros que se encontravam na unidade e comunica-lhes os objectivos do Movimento. Convidados a aderir fazem-no sem excepção. São mandados equipar e armar. Ao soar a meia-noite, na Escola Prática de Artilharia de Vendas Novas, formatura geral na parada sendo distribuidas funções. 
00h15, no Batalhão de Caçadores 5 em Lisboa são reunidos todos os Sargentos e Cabos Milicianos presentes na Unidade. Informados aderem e são encaminhados para se juntarem aos oficiais das respectivas Companhias. 
00H20  2.ª Senha transmitida pela rádio renascença.
Paulo Coelho é o locutor de serviço, nessa noite, no «Limite». Sem saber dos compromissos assumidos por dois dos seus colegas, Carlos Albino e Manuel Tomás, quase faz perigar a transmissão da senha à hora exacta por ter antecipado a leitura de anúncios publicitários. Mas, após alguns momentos de tensão, no final da leitura do primeiro anúncio, Manuel Tomás , também presente na cabine técnica, consegue, dando um pequeno safanão (aparentemente sem intenção) na mão do técnico de som José Videira, provocar o arranque da bobine que contém a senha. Então, pela voz previamente gravada de Leite de Vasconcelos, através dos potentes emissores da Rádio Renascença, ouve-se a primeira quadra da canção Grândola, Vila Morena, de José Afonso. Já no final da transmissão o agente da Censura, ali presente, dá sinais de que escutara algo que não previa.
 
 Entretanto o regimento de artilharia ligeira 1 (RAL1) está à entrada da Auto Estrada do Norte, reforçados por elementos do Regimento de Lanceiros 2 com capacidade de comunicação autónoma directa ao Regimento e dois Carros de Combate M-47 operacionais. Na Escola Prática de Administração Militar em Lisboa após ser ouvida a mensagem de confirmação na rádio são presos os oficiais de dia e de prevenção. O Cap. Gaspar assume o oficial de dia. Na escola prática de infantaria em Mafra é ordenada a formatura da Companhia de Intervenção.
Já perto da 1h da manhã, na Escola Prática de Cavalaria de Santarém o Maj. Costa Ferreira e os Cap. Garcia Correia, Bernardo e Aguiar tentam aliciar o 2.º Comandante da unidade, Ten.Cor. Sanches a aderir ao Movimento, sem sucesso. Todos os outros oficiais que se encontravam na unidade aderiram.
01h30, na Escola Prática de Cavalaria de Santarém foi dada ordem para acordar todo o pessoal e formar na parada onde cada Comandante de Esquadrão pôs ao corrente da situação o pessoal sob as suas ordens. A adesão foi total, ao ponto de a quase totalidade querer marchar sobre Lisboa. Na E.P.A.M. são acordados todos os oficiais, sargentos e praças. Os oficiais e sargentos foram informados dos acontecimentos e convidados a aderir. Os que recusaram foram detidos. 
No Batalhão de Caçadores 5 em Lisboa, os graduados acordam e mandam formar as Praças de forma mais discreta possível com vista a evitar o alerta das forças da GNR na Penitenciária.
As 2h da manhã no campo de tiro da serra da carregueira os capitães aderentes ao movimento têm poucos homens a sua missão é defender a todo o custo os estúdios da Emissora Nacional,  na Rua do Quelhas. Saem com duas viaturas pesadas e um jeep num total de 47 homens. No regimento de cavalaria 3 a missão é marchar sobre Lisboa com uma coluna de auto-metralhadoras e estacionar na zona da portagem da ponte sobre o Tejo. Na escola prática de infantaria a missão dos militares é ocupar e defender o Aeroporto de Lisboa. A esta hora sai de Aveiro o regimento de infantaria 10 para se juntar ao RAP3 da Figueira da foz, formando o Agrupamento Norte. Sem incidentes de maior tudo corre como previsto, da escola Prática de Administração Militar, sai uma coluna com duas viaturas ligeiras e três pesadas, com um efectivo de cerca de 100 homens armados de G3 e com metralhadoras Bren e lança granadas foguete, a missão é entrar e dominar os estúdios da RTP no Lumiar, prevendo a hipótese de cerco. 
Por esta altura os batalhões existentes já em Lisboa iniciam movimentações, é iniciado o cerco ao Quartel General da Região Militar de Lisboa em S. Sebastião e a protecção da área dos estudios do Rádio Clube Português. É estabelecido contacto com os elementos da Força Aérea que entraram nos estudios do RCP ficando a situação sob controlo. 
De Vendas Novas sai a unidade com a missão de ocupar posições junto ao Cristo-Rei em Almada por forma a bater em tiro directo qualquer coluna que pretendesse atravessar a Ponte ou qualquer navio no estuário do Tejo que se torna-se hostil, objectivo, montar segurança em Almada e controlo de acesso à Ponte sobre o Tejo.
A companhia do Campo de Instrução Militar de Santa Margarida, tinha como missão ocupar e defender as antenas do Rádio Clube Português em Porto Salvo e defender a Ponte Marechal Carmona em Vila Franca de Xira. De lamego saí uma Companhia de Comandos cujos objectivos eram conquistar e ocupar a delegação no Porto da PIDE/DGS. Esta missão iria ser alterada no sentido de reforçar o Posto de Comando alternativo no Norte. Ás 3h15 da manhã através de um telefonema entre o Ministro da Defesa, Dr. Silva Cunha e o Ministro do Exército Gen. Andrade e Silva, interceptado o Posto de Comando do Movimento fica a saber que áquela hora o Regime ainda não tinha conhecimento do desenrolar das acções.
3h30 da Escola Prática de Cavalaria de Santarém sai uma coluna em direcção a Lisboa sob o Comando do Cap. Salgueiro Maia, com a Missão de se instalar em Lisboa e controlar os acessos ao Banco de Portugal, Companhia Portuguesa Rádio Marconi e Terreiro do Paço. A coluna era composta por um Esquadrão de Reconhecimento, 10 Viaturas Blindadas, um Esquadrão de Reconhecimento, 160 homens com 12 viaturas de transporte, 2 Ambulâncias e 1 Jeep. Entretanto termina o cerco ao Quartel General da Região Militar de Lisboa é concedida ao oficial de serviço uma hora para se render. O Comandante da PSP do Porto, toma conhecimento da ocupação do Quartel General da Região Militar Norte e comunica imediatamente  para o Comando da GNR. O dispositivo de segurança em torno do Rádio Clube Português está em posição, entram no RCP que é ocupado sem incidentes. 
Ás 3h45 o Batalhão n.º 4 da GNR do Porto entra em prevenção rigorosa. O Comandante Geral da Guarda Nacional Republicana, contacta o Comandante do Batalhão para que entre em contacto com os Comandos da PSP do Porto e do Batalhão de Cavalaria n.º 6 Porto no sentido de tomar uma acção de força contra o Quartel General da Região Militar do Norte em poder do MFA. O Comandante e 2.º comandante do RC6 respectivamente, não só recusam como aderem ao Movimento.  
Pouco antes da quatro da manhã os militares cuja missão seria entrar e ocupar a RTP, na Alameda das Linhas de Torres, desarma os guardas da PSP, ocupa as instalações e monta o dispositivo de defesa. Pelas 04:00 são observadas movimentações em torno dos estúdios da RTP por parte de elementos da PSP e da DGS. São avisados que devem retirar, como não obedeceram é dada a ordem para efectuar rajadas de G3 para ao ar. A PSP retira, não voltando a causar mais problemas. A esta hora os principais objectivos estão tomados ou sob controlo. Outras forças do movimento deslocam-se para os seus objectivos. Consumada a ocupação do Aeroporto de Lisboa pode ser dada ordem para os elementos do Posto de Comando no Rádio Clube Português transmitissem o 1.º Comunicado do MFA.
É dada ordem para ser transmitido o primeiro comunicado. Foi com emoção que em todo o País centenas de militares ouviram pela voz de Joaquim Furtado o primeiro de vários comunicados que haviam sido redigidos pelo Maj. Vitor Alves. Estava previsto que os comunicados seriam lidos pelo Maj. Costa Neves, no entanto, Joaquim Furtado, locutor de serviço ao RCP, ao saber das intenções do Movimento de imediato se prontificou para o fazer. No comunicado pede-se para que a população se mantenha calma e apela-se à classe médica para ocorrer aos hospitais. Ás 4h45 é lido o segundo comunicado onde é dada especial atenção às Forças de Segurança a quem se aconselha actuação prudente, e avisam-se todos os comandos que levem os subordinados a actuarem contra as Forças do MFA que serão severamente punidos. A partir deste comunicado que já se encontrava redigido, o Ten.Cor.Lopes Pires passou a elaborar novos textos de acordo com evolução dos acontecimentos. A emissão prossegue com canções de luta, algumas delas há muito proibidas ouviram-se: José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria, Luís Cília, José Mário Branco.
Apesar da a esta hora já vários responsáveis militares e governamentais estarem ao corrente do Movimento militar é Silva Pais (Director da PIDE/DGS) que telefona ao Presidente do Conselho Marcelo Caetano informando: "Senhor Presidente, a Revolução está na rua! O caso é muito grave. Os revoltosos ocuparam já as principais emissoras de rádio e a Televisão e tomaram o Quartel General da Região Militar de Lisboa. Caçadores 5 está com eles. " Ás 5h15 é transmitido o terceiro comunicado do MFA. São renovados os apelos dos comunicados anteriores. O dia começa a amanhecer, perto das 6h da manhã é transmitido um longo comunicado que é uma condensação de todos os anteriores. Pela primeira vez são dirigidos avisos especificando-se explicitamene à Guarda Nacional Republicana, Polícia de Segurança Pública, Direcção Geral de Segurança e Legião Portuguesa, por esta altura é montado um dispositivo na Rua do Ouro e ocupados o Banco de Portugal e a Rádio Marconi, várias colunas miliatres dirigem-se para o Terreiro do Paço, ao atingirem o objectivo encontram um dispositivo da PSP, que não interferindo com a acção colaborou no isolamento a civis da área. O Cap. Salgueiro Maia transmite para o Posto de Comando: "Informo que ocupamos Toledo (T.Paço), Bruxelas (Banco de Portugal), Viena (Rádio Marconi). 
O povo começava a sair á rua, é o dia que amanhece, no ar já se adivinha o cheiro a LIBERDADE, praticamente sem um tiro, o movimento das Forças Armadas ganhava posições, "Estamos aqui para derrubar o governo", foram as palavras de Salgueiro Maia a um jornalista. No tejo, ameaçadora a fragata Gago Coutinho, não chegaria a disparar os seus canhões. Eram quase 8h da manhã.
Contrariando os apelos do Movimento das Forças Armadas o povo saiu á rua, milhares de Portugueses quiseram juntar-se ao movimento e apoiar o golpe militar.
A contagem decrescente para o inicio da queda do regime que governava o país durante meio século ja tinha começado, era impossivel voltar atrás. Não era só uma alma nova que despertava naquela manhã, eram gritos de mudança nunca antes ouvidos. 9h30 da manhã.
Jornais censurados, presos politicos, perseguições, direito de reunião não reconhecido e severamente punido, as formas mais odiosas e até ridiculas de travar e bloquear iniciativas de cidadãos estava prestes a ter um fim.
A liberdade nascia ali, acabavam-se as mordaças, garantia-se a liberdade de expressão e de pensamento, o programa do movimento era um memorando para o novo cidadão. Era impossivel agora deixar fugir esse sonho. Muitas horas de impasse,para trás momentos tensos vividos pelos miliatres, agora tudo se resumia ao quartel do Carmo. 11h
Na rua as palavras de ordem começavam a surgir, estava prestes a cair o regime de punho de aço com a sua policia politica. 14h30
Os capitães de Abril, tomando consciência da natureza do regime em que viviam e que oprimia os portugueses, e da injustiça e inutilidade em prolongar uma guerra sem sentido, decidiram abrir as portas á liberdade e á democracia,...por fim a Vitória. 16h30
...E das espingardas brotaram flores,... nascia um novo Abril em Portugal; Já não o do nacional cançonetismo, mas o da canção de intervenção, que diz" o povo é quem mais ordena" que a " cantiga é uma arma" e ainda que " há sempre alguém que diz não". Era o virar de uma página na história de Portugal. Hoje somos um Pais que mudou. 18h30

O dia terminava, para trás ficava o regime, essa seria uma noite longa para muitos outros concerteza nem dormiriam,... mas muito havia a fazer outro dia iria nascer.
 26 de Abril -  O dia seguinte
 1h30 da manhã

O fim de um regime o inicio de outro
Existem vários pontos de vista  na sociedade portuguesa em relação ao 25 de abril, mas quase todos reconhecem, de uma forma ou de outra, que o 25 de abril representou um grande salto no desenvolvimento político-social do país. Muitos tendem a pensar que o espírito inicial da revolução se perdeu e mesmo muitas das chamadas "conquistas da revolução" foram disvirtuadas. 
 Cinema
Documentário
As Armas e o Povo - (Portugal, 1975), filme que retrata a primeira semana de revolução, cobrindo os acontecimentos do 25 de Abril ao 1º de Maio de 1974.
Cravos de Abril – (Portugal, 1976), documentário histórico, de Ricardo Costa, retratando os eventos desde o 25 de Abril até ao 1º de Maio. 
Setúbal, ville rouge - (França/Portugal 1975), documentário histórico (em português e francês), de Daniel Edinger, retratando a organizacão do poder popular em Setúbal em Outubro 1975 .
Scenes from the Class Struggle in Portugal - (US/Portugal 1977), de Robert Kramer e Philip Spinelli.
Ficção
Capitães de Abril, 1997
Televisão

De igual modo, a televisão tirou partido das novas liberdades, noticiando sem censura, registando em filme, em entrevistas e documentários, momentos históricos, fazendo de um país em ebulição retratos vivos. A Revolução dos Cravos foi amplamente coberta, além da RTP, por várias televisões estrangeiras, logo após ter sido notícia de interesse internacional. 
PUBLICADO digitalblueradio às 18:25 | LINK DO POST
A revolução dos Cravos refere-se a um período da história de Portugal resultante de um golpe de Estado militar, ocorrido a 25 de Abril de 1974, que depôs o regime ditatorial do Estado Novo, vigente desde 1933, e que iniciou um processo que viria a terminar com a implantação de um regime democrático, com a entrada em vigor da nova Constituição a 25 de Abril de 1976.

Este golpe, conhecido como 25 de Abril, foi conduzido por um movimento militar, o Movimento das Forças Armadas (MFA), composto por oficiais militares, na sua maioria capitães que tinham participado na Guerra Colonial. Com a adesão em massa da população ao golpe de estado, a resistência do regime foi praticamente inexistente, registando-se apenas quatro mortos.

Após o golpe foi criada a Junta de Salvação Nacional, responsável pela nomeação do Presidente da República, pelo programa do Governo Provisório e respectiva orgânica. Assim, a 15 de Maio de 1974 o General António de Spínola foi nomeado Presidente da República. 
 O cargo de primeiro-ministro seria atribuido a Adelino da Palma Carlos.

Seguiu-se um período de grande agitação social, política e militar conhecido como o PREC (Processo Revolucionário Em Curso), marcado por manifestações, ocupações, governos provisórios, nacionalizações e confrontos militares, apenas terminado com uma tentativa de golpe de Estado fracassada a 25 de Novembro de 1975.  
Com uma conjuntura mais estável, foi possível prosseguir com os trabalhos da Assembleia Constituinte e chegar a uma nova constituição democrática, que entrou em vigor no dia 25 de Abril de 1976, o mesmo dia das primeiras eleições legislativas da nova República.

Na sequência destes eventos foi instituído em Portugal um feriado nacional no dia 25 de Abril, denominado "Dia da Liberdade".
Na sequência do golpe militar de 28 de Maio de 1926, foi instaurada em Portugal uma ditadura militar, que culminaria na eleição presidencial de Óscar Carmona, em 1928. No mandato presidencial de Carmona, no que então se designou por "Ditadura Nacional", foi elaborada a Constituição de 1933, instituindo um novo regime autoritário de inspiração fascista, auto-denominando-se Estado Novo. Oliveira Salazar passou a controlar o país através do partido único designado "União Nacional", não mais abandonando o poder até 1968, quando este lhe foi retirado por incapacidade, na sequência de uma queda em que sofreu lesões cerebrais. Foi substituído por Marcelo Caetano, que dirigiu o país até ser deposto no 25 de Abril de 1974. A chamada Primavera Marcelista seria sinónimo de ditadura branda.

Sob o governo do Estado Novo, Portugal foi sempre considerado um país governado por uma ditadura, quer pela oposição, quer pelos observadores estrangeiros quer mesmo pelos próprios dirigentes do regime. Formalmente, existiam eleições, consideradas fraudulentas pela oposição. O Estado Novo tinha a sua polícia política, a PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado), mais tarde reconvertida na DGS (Direcção-Geral de Segurança), que continuaria a perseguir os opositores do regime. 
Apesar de séria contestação nos fóruns mundiais, como na ONU, Portugal manteve a sua política de força, endurecendo-a a partir do início dos anos 1960, face ao alastramento dos ataques independentistas em Angola, na Guiné e em Moçambique.

Economicamente, o regime manteve uma política de condicionamento industrial que protegia certos monopólios e certos grupos industriais e financeiros. O país permaneceu pobre até à década de 1960, sendo consequência disso um significativo acréscimo da emigração. É nesta década, contudo, que se notam sinais de desenvolvimento económico. No início da década de setenta mantinha-se vivo o ideário salazarista. Mesmo em plena Primavera Marcelista, Marcelo Caetano, que sucedeu a Salazar no início da década (em 1970, ano da morte do ditador), não destoa. Age a seu modo, governa em isolamento, faz o que pode, mas um dia virá em que já nada pode fazer.
A Guerra do Ultramar, um dos precedentes para a revolução.
Qualquer tentativa de reforma política era impedida pela própria inércia do regime e pelo poder da sua polícia política (PIDE). Nos finais da década de 1960, o regime exilava-se, envelhecido, num ocidente de países em plena efervescência social e intelectual. Em Portugal cultiva-se outros ideais: defender o Império pela força das armas. O contexto internacional era cada vez mais desfavorável ao regime salazarista/marcelista. No auge da Guerra Fria, as nações dos blocos capitalista e comunista começavam a apoiar e financiar as guerrilhas das colónias portuguesas, numa tentativa de as atrair para a influência americana ou soviética. A intransigência do regime e mesmo o desejo de muitos colonos de continuarem sob o domínio português, atrasaram o processo de descolonização: no caso de Angola e Moçambique, um atraso forçado de quase 20 anos.
Portugal mantinha laços fortes e duradouros com as suas colónias africanas, quer como mercado para os produtos manufaturados portugueses quer como produtoras de matérias primas para a indústria portuguesa. Muitos portugueses viam a existência de um império colonial como necessária para o país ter poder e influência contínuos. Mas o peso da guerra, o contexto político e os interesses estratégicos de certas potências estrangeiras inviabilizariam essa ideia.

Apesar das constantes objecções nacionais e internacionais, Portugal mantinha as colónias, dizendo considerá-las parte integral de Portugal e defendendo-as militarmente. O problema surge com a ocupação unilateral e forçada dos enclaves portugueses de Goa, Damão e Diu, em 1961.

Em quase todas as colónias portuguesas africanas, Moçambique, Angola, Guiné, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde, surgiam movimentos independentistas, que acabariam por se manifestar sob a forma de guerrilhas armadas. Estas guerrilhas não foram facilmente contidas, tendo conseguido controlar uma parte importante do território, apesar da presença de um grande número de tropas portuguesas. Os vários conflitos forçavam Salazar e o seu sucessor Caetano a gastar uma grande parte do orçamento de Estado na administração colonial e nas despesas militares. A administração das colónias custava muito a Portugal. Até 1960 o país continuou relativamente frágil em termos económicos, o que aumentou a emigração para países em rápido crescimento e de escassa mão-de-obra da Europa Ocidental, como França ou Alemanha. O processo iniciava-se no fim da Segunda Guerra Mundial.
A guerra colonial tornava-se tema forte de discussão e era assunto de eleição para as forças anti-regime. Portugal estava isolado do resto do Mundo. Muitos estudantes e opositores viam-se forçados a abandonar o país para escapar à guerra, à prisão e à tortura. Em 1974, Marcelo Caetano é forçado pela velha guarda do regime a destituir o general António de Spínola e os seus apoiantes. Conhecidas as divisões existentes no seio da elite do regime, o MFA decide levar adiante um golpe de estado. O movimento nasce secretamente em 1973. Nele estão envolvidos certos oficiais do exército que já conspiravam, descontentes por motivos de carreira militar.

Monumento em Grândola.

A primeira reunião clandestina de capitães foi realizada em Bissau, em 1973. Uma nova reunião surge no Monte Sobral (Alcáçovas) e dá origem ao Movimento das Forças Armadas. No dia 5 de Março de 1974 é aprovado o primeiro documento do movimento: Os Militares, as Forças Armadas e a Nação. Este documento é posto a circular clandestinamente. Entretanto  o governo demite os generais Spínola e Costa Gomes dos cargos de Vice-Chefe e Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, a razão foi a edição do livro por parte de Spinola "Portugal e o Futuro", no qual, pela primeira vez uma alta patente advogava a necessidade de uma solução política para as revoltas separatistas nas colónias e não uma solução militar. 
No dia 24 de Abril de 1974, um grupo de militares comandados por Otelo Saraiva de Carvalho instalou secretamente o posto de comando do movimento golpista no quartel da Pontinha, em Lisboa.
Começavam os primeiros passos para a LIBERDADE

Às 22h 55m é transmitida a canção "E depois do Adeus", de Paulo de Carvalho, pelos Emissores Associados de Lisboa, emitida por Luís Filipe Costa. Este foi um dos sinais previamente combinados pelos golpistas, que desencadeou a tomada de posições da primeira fase do golpe de estado.
O segundo sinal foi dado às 0h20 m, quando foi transmitida a canção "Grândola, Vila Morena", de José Afonso, pelo programa Limite, da Rádio Renascença, que confirmava o golpe e marcava o início das operações. O locutor de serviço nessa emissão foi Leite de Vasconcelos, jornalista e poeta moçambicano.
Nos estúdios da Rádio Renascença, situados na Rua Capelo, ao Chiado, Paulo Coelho, que ignora os compromissos assumidos pelos seus colegas do programa Limite, lê anúncios publicitários. Apesar dos sinais desesperados de Manuel Tomás, que se encontra na cabina técnica acompanhado de Carlos Albino, para sair do ar, o radialista prossegue paulatinamente a sua tarefa. Após alguns segundos de aguda tensão, Tomás dá uma "sapatada" na mão do técnico José Videira, provocando o arranque da bobine com a gravação que continha a célebre senha: a canção Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso.
No Norte, uma força do CICA 1 liderada pelo Tenente-Coronel Carlos de Azeredo toma o Quartel-General da Região Militar do Porto. Estas forças são reforçadas por forças vindas de Lamego. Forças do BC9 de Viana do Castelo tomam o Aeroporto de Pedras Rubras. Forças do CIOE tomam a RTP e o RCP no Porto. O regime reagiu, e o ministro da Defesa ordenou a forças sediadas em Braga para avançarem sobre o Porto, no que não foi obedecido, já que estas já tinham aderido ao golpe.

À Escola Prática de Cavalaria, que partiu de Santarém, coube o papel mais importante: a ocupação do Terreiro do Paço. As forças da Escola Prática de Cavalaria eram comandadas pelo então Capitão Salgueiro Maia. 
O Terreiro do Paço foi ocupado às primeiras horas da manhã. Salgueiro Maia moveu, mais tarde, parte das suas forças para o Quartel do Carmo onde se encontrava o chefe do governo, Marcelo Caetano, que ao final do dia se rendeu, fazendo, contudo, a exigência de entregar o poder ao General António de Spínola, que não fazia parte do MFA, para que o "poder não caísse na rua". Marcelo Caetano partiu, depois, para a Madeira, rumo ao exílio no Brasil.
A revolução resultou na morte de 4 pessoas, quando elementos da polícia política (PIDE) dispararam sobre um grupo que se manifestava à porta das suas instalações na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa.
O cravo vermelho tornou-se o símbolo da Revolução de Abril de 1974. Segundo se conta, foi uma florista que iniciou a distribuição dos cravos vermelhos pelos populares, chegando por meio destes aos soldados, que os colocaram nos canos das espingardas. Devido a esse acontecimento esta revolução também é conhecida como "A Revolução dos Cravos".

No dia seguinte, forma-se a Junta de Salvação Nacional, constituída por militares, e que procederá a um governo de transição. 
O essencial do programa do MFA é, amiúde, resumido no programa dos três D: Democratizar, Descolonizar, Desenvolver.

Entre as medidas imediatas da revolução contam-se a extinção da polícia política (PIDE/DGS) e da Censura. Os sindicatos livres e os partidos foram legalizados. Só no dia 26 foram libertados os presos políticos, da Prisão de Caxias e de Peniche.
Os líderes políticos da oposição no exílio voltaram ao país nos dias seguintes. Passada uma semana, o 1.º de Maio foi celebrado legalmente nas ruas pela primeira vez em muitos anos. Em Lisboa reuniram-se cerca de um milhão de pessoas.
Portugal passou por um período conturbado que durou cerca de 2 anos, marcado pela luta e perseguição política entre as facções de esquerda e direita. Foram nacionalizadas as grandes empresas. Foram igualmente "saneadas" e muitas vezes forçadas ao exílio personalidades que se identificavam com o Estado Novo ou não partilhavam da mesma visão política que então se estabelecia para o país. 
No dia 25 de Abril de 1975 realizaram-se as primeiras eleições livres, para a Assembleia Constituinte, que foram ganhas pelo PS. Na sequência dos trabalhos desta assembleia foi elaborada uma nova Constituição, de forte pendor socialista, e estabelecida uma democracia parlamentar de tipo ocidental. A constituição foi aprovada em 1976 pela maioria dos deputados, abstendo-se apenas o CDS. Acabada a guerra colonial, durante o PREC, as colónias africanas e Timor-Leste tornaram-se independentes.
PUBLICADO digitalblueradio às 11:38 | LINK DO POST
A revolução dos Cravos refere-se a um período da história de Portugal resultante de um golpe de Estado militar, ocorrido a 25 de Abril de 1974, que depôs o regime ditatorial do Estado Novo, vigente desde 1933, e que iniciou um processo que viria a terminar com a implantação de um regime democrático, com a entrada em vigor da nova Constituição a 25 de Abril de 1976.

Este golpe, conhecido como 25 de Abril, foi conduzido por um movimento militar, o Movimento das Forças Armadas (MFA), composto por oficiais militares, na sua maioria capitães que tinham participado na Guerra Colonial. Com a adesão em massa da população ao golpe de estado, a resistência do regime foi praticamente inexistente, registando-se apenas quatro mortos.

Após o golpe foi criada a Junta de Salvação Nacional, responsável pela nomeação do Presidente da República, pelo programa do Governo Provisório e respectiva orgânica. Assim, a 15 de Maio de 1974 o General António de Spínola foi nomeado Presidente da República. 
 O cargo de primeiro-ministro seria atribuido a Adelino da Palma Carlos.

Seguiu-se um período de grande agitação social, política e militar conhecido como o PREC (Processo Revolucionário Em Curso), marcado por manifestações, ocupações, governos provisórios, nacionalizações e confrontos militares, apenas terminado com uma tentativa de golpe de Estado fracassada a 25 de Novembro de 1975.  
Com uma conjuntura mais estável, foi possível prosseguir com os trabalhos da Assembleia Constituinte e chegar a uma nova constituição democrática, que entrou em vigor no dia 25 de Abril de 1976, o mesmo dia das primeiras eleições legislativas da nova República.

Na sequência destes eventos foi instituído em Portugal um feriado nacional no dia 25 de Abril, denominado "Dia da Liberdade".
Na sequência do golpe militar de 28 de Maio de 1926, foi instaurada em Portugal uma ditadura militar, que culminaria na eleição presidencial de Óscar Carmona, em 1928. No mandato presidencial de Carmona, no que então se designou por "Ditadura Nacional", foi elaborada a Constituição de 1933, instituindo um novo regime autoritário de inspiração fascista, auto-denominando-se Estado Novo. Oliveira Salazar passou a controlar o país através do partido único designado "União Nacional", não mais abandonando o poder até 1968, quando este lhe foi retirado por incapacidade, na sequência de uma queda em que sofreu lesões cerebrais. Foi substituído por Marcelo Caetano, que dirigiu o país até ser deposto no 25 de Abril de 1974. A chamada Primavera Marcelista seria sinónimo de ditadura branda.

Sob o governo do Estado Novo, Portugal foi sempre considerado um país governado por uma ditadura, quer pela oposição, quer pelos observadores estrangeiros quer mesmo pelos próprios dirigentes do regime. Formalmente, existiam eleições, consideradas fraudulentas pela oposição. O Estado Novo tinha a sua polícia política, a PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado), mais tarde reconvertida na DGS (Direcção-Geral de Segurança), que continuaria a perseguir os opositores do regime. 
Apesar de séria contestação nos fóruns mundiais, como na ONU, Portugal manteve a sua política de força, endurecendo-a a partir do início dos anos 1960, face ao alastramento dos ataques independentistas em Angola, na Guiné e em Moçambique.

Economicamente, o regime manteve uma política de condicionamento industrial que protegia certos monopólios e certos grupos industriais e financeiros. O país permaneceu pobre até à década de 1960, sendo consequência disso um significativo acréscimo da emigração. É nesta década, contudo, que se notam sinais de desenvolvimento económico. No início da década de setenta mantinha-se vivo o ideário salazarista. Mesmo em plena Primavera Marcelista, Marcelo Caetano, que sucedeu a Salazar no início da década (em 1970, ano da morte do ditador), não destoa. Age a seu modo, governa em isolamento, faz o que pode, mas um dia virá em que já nada pode fazer.
A Guerra do Ultramar, um dos precedentes para a revolução.
Qualquer tentativa de reforma política era impedida pela própria inércia do regime e pelo poder da sua polícia política (PIDE). Nos finais da década de 1960, o regime exilava-se, envelhecido, num ocidente de países em plena efervescência social e intelectual. Em Portugal cultiva-se outros ideais: defender o Império pela força das armas. O contexto internacional era cada vez mais desfavorável ao regime salazarista/marcelista. No auge da Guerra Fria, as nações dos blocos capitalista e comunista começavam a apoiar e financiar as guerrilhas das colónias portuguesas, numa tentativa de as atrair para a influência americana ou soviética. A intransigência do regime e mesmo o desejo de muitos colonos de continuarem sob o domínio português, atrasaram o processo de descolonização: no caso de Angola e Moçambique, um atraso forçado de quase 20 anos.
Portugal mantinha laços fortes e duradouros com as suas colónias africanas, quer como mercado para os produtos manufaturados portugueses quer como produtoras de matérias primas para a indústria portuguesa. Muitos portugueses viam a existência de um império colonial como necessária para o país ter poder e influência contínuos. Mas o peso da guerra, o contexto político e os interesses estratégicos de certas potências estrangeiras inviabilizariam essa ideia.

Apesar das constantes objecções nacionais e internacionais, Portugal mantinha as colónias, dizendo considerá-las parte integral de Portugal e defendendo-as militarmente. O problema surge com a ocupação unilateral e forçada dos enclaves portugueses de Goa, Damão e Diu, em 1961.

Em quase todas as colónias portuguesas africanas, Moçambique, Angola, Guiné, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde, surgiam movimentos independentistas, que acabariam por se manifestar sob a forma de guerrilhas armadas. Estas guerrilhas não foram facilmente contidas, tendo conseguido controlar uma parte importante do território, apesar da presença de um grande número de tropas portuguesas. Os vários conflitos forçavam Salazar e o seu sucessor Caetano a gastar uma grande parte do orçamento de Estado na administração colonial e nas despesas militares. A administração das colónias custava muito a Portugal. Até 1960 o país continuou relativamente frágil em termos económicos, o que aumentou a emigração para países em rápido crescimento e de escassa mão-de-obra da Europa Ocidental, como França ou Alemanha. O processo iniciava-se no fim da Segunda Guerra Mundial.
A guerra colonial tornava-se tema forte de discussão e era assunto de eleição para as forças anti-regime. Portugal estava isolado do resto do Mundo. Muitos estudantes e opositores viam-se forçados a abandonar o país para escapar à guerra, à prisão e à tortura. Em 1974, Marcelo Caetano é forçado pela velha guarda do regime a destituir o general António de Spínola e os seus apoiantes. Conhecidas as divisões existentes no seio da elite do regime, o MFA decide levar adiante um golpe de estado. O movimento nasce secretamente em 1973. Nele estão envolvidos certos oficiais do exército que já conspiravam, descontentes por motivos de carreira militar.

Monumento em Grândola.

A primeira reunião clandestina de capitães foi realizada em Bissau, em 1973. Uma nova reunião surge no Monte Sobral (Alcáçovas) e dá origem ao Movimento das Forças Armadas. No dia 5 de Março de 1974 é aprovado o primeiro documento do movimento: Os Militares, as Forças Armadas e a Nação. Este documento é posto a circular clandestinamente. Entretanto  o governo demite os generais Spínola e Costa Gomes dos cargos de Vice-Chefe e Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, a razão foi a edição do livro por parte de Spinola "Portugal e o Futuro", no qual, pela primeira vez uma alta patente advogava a necessidade de uma solução política para as revoltas separatistas nas colónias e não uma solução militar. 
No dia 24 de Abril de 1974, um grupo de militares comandados por Otelo Saraiva de Carvalho instalou secretamente o posto de comando do movimento golpista no quartel da Pontinha, em Lisboa.
Começavam os primeiros passos para a LIBERDADE

Às 22h 55m é transmitida a canção "E depois do Adeus", de Paulo de Carvalho, pelos Emissores Associados de Lisboa, emitida por Luís Filipe Costa. Este foi um dos sinais previamente combinados pelos golpistas, que desencadeou a tomada de posições da primeira fase do golpe de estado.
O segundo sinal foi dado às 0h20 m, quando foi transmitida a canção "Grândola, Vila Morena", de José Afonso, pelo programa Limite, da Rádio Renascença, que confirmava o golpe e marcava o início das operações. O locutor de serviço nessa emissão foi Leite de Vasconcelos, jornalista e poeta moçambicano.
Nos estúdios da Rádio Renascença, situados na Rua Capelo, ao Chiado, Paulo Coelho, que ignora os compromissos assumidos pelos seus colegas do programa Limite, lê anúncios publicitários. Apesar dos sinais desesperados de Manuel Tomás, que se encontra na cabina técnica acompanhado de Carlos Albino, para sair do ar, o radialista prossegue paulatinamente a sua tarefa. Após alguns segundos de aguda tensão, Tomás dá uma "sapatada" na mão do técnico José Videira, provocando o arranque da bobine com a gravação que continha a célebre senha: a canção Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso.
No Norte, uma força do CICA 1 liderada pelo Tenente-Coronel Carlos de Azeredo toma o Quartel-General da Região Militar do Porto. Estas forças são reforçadas por forças vindas de Lamego. Forças do BC9 de Viana do Castelo tomam o Aeroporto de Pedras Rubras. Forças do CIOE tomam a RTP e o RCP no Porto. O regime reagiu, e o ministro da Defesa ordenou a forças sediadas em Braga para avançarem sobre o Porto, no que não foi obedecido, já que estas já tinham aderido ao golpe.

À Escola Prática de Cavalaria, que partiu de Santarém, coube o papel mais importante: a ocupação do Terreiro do Paço. As forças da Escola Prática de Cavalaria eram comandadas pelo então Capitão Salgueiro Maia. 
O Terreiro do Paço foi ocupado às primeiras horas da manhã. Salgueiro Maia moveu, mais tarde, parte das suas forças para o Quartel do Carmo onde se encontrava o chefe do governo, Marcelo Caetano, que ao final do dia se rendeu, fazendo, contudo, a exigência de entregar o poder ao General António de Spínola, que não fazia parte do MFA, para que o "poder não caísse na rua". Marcelo Caetano partiu, depois, para a Madeira, rumo ao exílio no Brasil.
A revolução resultou na morte de 4 pessoas, quando elementos da polícia política (PIDE) dispararam sobre um grupo que se manifestava à porta das suas instalações na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa.
O cravo vermelho tornou-se o símbolo da Revolução de Abril de 1974. Segundo se conta, foi uma florista que iniciou a distribuição dos cravos vermelhos pelos populares, chegando por meio destes aos soldados, que os colocaram nos canos das espingardas. Devido a esse acontecimento esta revolução também é conhecida como "A Revolução dos Cravos".

No dia seguinte, forma-se a Junta de Salvação Nacional, constituída por militares, e que procederá a um governo de transição. 
O essencial do programa do MFA é, amiúde, resumido no programa dos três D: Democratizar, Descolonizar, Desenvolver.

Entre as medidas imediatas da revolução contam-se a extinção da polícia política (PIDE/DGS) e da Censura. Os sindicatos livres e os partidos foram legalizados. Só no dia 26 foram libertados os presos políticos, da Prisão de Caxias e de Peniche.
Os líderes políticos da oposição no exílio voltaram ao país nos dias seguintes. Passada uma semana, o 1.º de Maio foi celebrado legalmente nas ruas pela primeira vez em muitos anos. Em Lisboa reuniram-se cerca de um milhão de pessoas.
Portugal passou por um período conturbado que durou cerca de 2 anos, marcado pela luta e perseguição política entre as facções de esquerda e direita. Foram nacionalizadas as grandes empresas. Foram igualmente "saneadas" e muitas vezes forçadas ao exílio personalidades que se identificavam com o Estado Novo ou não partilhavam da mesma visão política que então se estabelecia para o país. 
No dia 25 de Abril de 1975 realizaram-se as primeiras eleições livres, para a Assembleia Constituinte, que foram ganhas pelo PS. Na sequência dos trabalhos desta assembleia foi elaborada uma nova Constituição, de forte pendor socialista, e estabelecida uma democracia parlamentar de tipo ocidental. A constituição foi aprovada em 1976 pela maioria dos deputados, abstendo-se apenas o CDS. Acabada a guerra colonial, durante o PREC, as colónias africanas e Timor-Leste tornaram-se independentes.
PUBLICADO digitalblueradio às 11:38 | LINK DO POST
A revolução dos Cravos refere-se a um período da história de Portugal resultante de um golpe de Estado militar, ocorrido a 25 de Abril de 1974, que depôs o regime ditatorial do Estado Novo, vigente desde 1933, e que iniciou um processo que viria a terminar com a implantação de um regime democrático, com a entrada em vigor da nova Constituição a 25 de Abril de 1976.

Este golpe, conhecido como 25 de Abril, foi conduzido por um movimento militar, o Movimento das Forças Armadas (MFA), composto por oficiais militares, na sua maioria capitães que tinham participado na Guerra Colonial. Com a adesão em massa da população ao golpe de estado, a resistência do regime foi praticamente inexistente, registando-se apenas quatro mortos.

Após o golpe foi criada a Junta de Salvação Nacional, responsável pela nomeação do Presidente da República, pelo programa do Governo Provisório e respectiva orgânica. Assim, a 15 de Maio de 1974 o General António de Spínola foi nomeado Presidente da República. 
 O cargo de primeiro-ministro seria atribuido a Adelino da Palma Carlos.

Seguiu-se um período de grande agitação social, política e militar conhecido como o PREC (Processo Revolucionário Em Curso), marcado por manifestações, ocupações, governos provisórios, nacionalizações e confrontos militares, apenas terminado com uma tentativa de golpe de Estado fracassada a 25 de Novembro de 1975.  
Com uma conjuntura mais estável, foi possível prosseguir com os trabalhos da Assembleia Constituinte e chegar a uma nova constituição democrática, que entrou em vigor no dia 25 de Abril de 1976, o mesmo dia das primeiras eleições legislativas da nova República.

Na sequência destes eventos foi instituído em Portugal um feriado nacional no dia 25 de Abril, denominado "Dia da Liberdade".
Na sequência do golpe militar de 28 de Maio de 1926, foi instaurada em Portugal uma ditadura militar, que culminaria na eleição presidencial de Óscar Carmona, em 1928. No mandato presidencial de Carmona, no que então se designou por "Ditadura Nacional", foi elaborada a Constituição de 1933, instituindo um novo regime autoritário de inspiração fascista, auto-denominando-se Estado Novo. Oliveira Salazar passou a controlar o país através do partido único designado "União Nacional", não mais abandonando o poder até 1968, quando este lhe foi retirado por incapacidade, na sequência de uma queda em que sofreu lesões cerebrais. Foi substituído por Marcelo Caetano, que dirigiu o país até ser deposto no 25 de Abril de 1974. A chamada Primavera Marcelista seria sinónimo de ditadura branda.

Sob o governo do Estado Novo, Portugal foi sempre considerado um país governado por uma ditadura, quer pela oposição, quer pelos observadores estrangeiros quer mesmo pelos próprios dirigentes do regime. Formalmente, existiam eleições, consideradas fraudulentas pela oposição. O Estado Novo tinha a sua polícia política, a PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado), mais tarde reconvertida na DGS (Direcção-Geral de Segurança), que continuaria a perseguir os opositores do regime. 
Apesar de séria contestação nos fóruns mundiais, como na ONU, Portugal manteve a sua política de força, endurecendo-a a partir do início dos anos 1960, face ao alastramento dos ataques independentistas em Angola, na Guiné e em Moçambique.

Economicamente, o regime manteve uma política de condicionamento industrial que protegia certos monopólios e certos grupos industriais e financeiros. O país permaneceu pobre até à década de 1960, sendo consequência disso um significativo acréscimo da emigração. É nesta década, contudo, que se notam sinais de desenvolvimento económico. No início da década de setenta mantinha-se vivo o ideário salazarista. Mesmo em plena Primavera Marcelista, Marcelo Caetano, que sucedeu a Salazar no início da década (em 1970, ano da morte do ditador), não destoa. Age a seu modo, governa em isolamento, faz o que pode, mas um dia virá em que já nada pode fazer.
A Guerra do Ultramar, um dos precedentes para a revolução.
Qualquer tentativa de reforma política era impedida pela própria inércia do regime e pelo poder da sua polícia política (PIDE). Nos finais da década de 1960, o regime exilava-se, envelhecido, num ocidente de países em plena efervescência social e intelectual. Em Portugal cultiva-se outros ideais: defender o Império pela força das armas. O contexto internacional era cada vez mais desfavorável ao regime salazarista/marcelista. No auge da Guerra Fria, as nações dos blocos capitalista e comunista começavam a apoiar e financiar as guerrilhas das colónias portuguesas, numa tentativa de as atrair para a influência americana ou soviética. A intransigência do regime e mesmo o desejo de muitos colonos de continuarem sob o domínio português, atrasaram o processo de descolonização: no caso de Angola e Moçambique, um atraso forçado de quase 20 anos.
Portugal mantinha laços fortes e duradouros com as suas colónias africanas, quer como mercado para os produtos manufaturados portugueses quer como produtoras de matérias primas para a indústria portuguesa. Muitos portugueses viam a existência de um império colonial como necessária para o país ter poder e influência contínuos. Mas o peso da guerra, o contexto político e os interesses estratégicos de certas potências estrangeiras inviabilizariam essa ideia.

Apesar das constantes objecções nacionais e internacionais, Portugal mantinha as colónias, dizendo considerá-las parte integral de Portugal e defendendo-as militarmente. O problema surge com a ocupação unilateral e forçada dos enclaves portugueses de Goa, Damão e Diu, em 1961.

Em quase todas as colónias portuguesas africanas, Moçambique, Angola, Guiné, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde, surgiam movimentos independentistas, que acabariam por se manifestar sob a forma de guerrilhas armadas. Estas guerrilhas não foram facilmente contidas, tendo conseguido controlar uma parte importante do território, apesar da presença de um grande número de tropas portuguesas. Os vários conflitos forçavam Salazar e o seu sucessor Caetano a gastar uma grande parte do orçamento de Estado na administração colonial e nas despesas militares. A administração das colónias custava muito a Portugal. Até 1960 o país continuou relativamente frágil em termos económicos, o que aumentou a emigração para países em rápido crescimento e de escassa mão-de-obra da Europa Ocidental, como França ou Alemanha. O processo iniciava-se no fim da Segunda Guerra Mundial.
A guerra colonial tornava-se tema forte de discussão e era assunto de eleição para as forças anti-regime. Portugal estava isolado do resto do Mundo. Muitos estudantes e opositores viam-se forçados a abandonar o país para escapar à guerra, à prisão e à tortura. Em 1974, Marcelo Caetano é forçado pela velha guarda do regime a destituir o general António de Spínola e os seus apoiantes. Conhecidas as divisões existentes no seio da elite do regime, o MFA decide levar adiante um golpe de estado. O movimento nasce secretamente em 1973. Nele estão envolvidos certos oficiais do exército que já conspiravam, descontentes por motivos de carreira militar.

Monumento em Grândola.

A primeira reunião clandestina de capitães foi realizada em Bissau, em 1973. Uma nova reunião surge no Monte Sobral (Alcáçovas) e dá origem ao Movimento das Forças Armadas. No dia 5 de Março de 1974 é aprovado o primeiro documento do movimento: Os Militares, as Forças Armadas e a Nação. Este documento é posto a circular clandestinamente. Entretanto  o governo demite os generais Spínola e Costa Gomes dos cargos de Vice-Chefe e Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, a razão foi a edição do livro por parte de Spinola "Portugal e o Futuro", no qual, pela primeira vez uma alta patente advogava a necessidade de uma solução política para as revoltas separatistas nas colónias e não uma solução militar. 
No dia 24 de Abril de 1974, um grupo de militares comandados por Otelo Saraiva de Carvalho instalou secretamente o posto de comando do movimento golpista no quartel da Pontinha, em Lisboa.
Começavam os primeiros passos para a LIBERDADE

Às 22h 55m é transmitida a canção "E depois do Adeus", de Paulo de Carvalho, pelos Emissores Associados de Lisboa, emitida por Luís Filipe Costa. Este foi um dos sinais previamente combinados pelos golpistas, que desencadeou a tomada de posições da primeira fase do golpe de estado.
O segundo sinal foi dado às 0h20 m, quando foi transmitida a canção "Grândola, Vila Morena", de José Afonso, pelo programa Limite, da Rádio Renascença, que confirmava o golpe e marcava o início das operações. O locutor de serviço nessa emissão foi Leite de Vasconcelos, jornalista e poeta moçambicano.
Nos estúdios da Rádio Renascença, situados na Rua Capelo, ao Chiado, Paulo Coelho, que ignora os compromissos assumidos pelos seus colegas do programa Limite, lê anúncios publicitários. Apesar dos sinais desesperados de Manuel Tomás, que se encontra na cabina técnica acompanhado de Carlos Albino, para sair do ar, o radialista prossegue paulatinamente a sua tarefa. Após alguns segundos de aguda tensão, Tomás dá uma "sapatada" na mão do técnico José Videira, provocando o arranque da bobine com a gravação que continha a célebre senha: a canção Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso.
No Norte, uma força do CICA 1 liderada pelo Tenente-Coronel Carlos de Azeredo toma o Quartel-General da Região Militar do Porto. Estas forças são reforçadas por forças vindas de Lamego. Forças do BC9 de Viana do Castelo tomam o Aeroporto de Pedras Rubras. Forças do CIOE tomam a RTP e o RCP no Porto. O regime reagiu, e o ministro da Defesa ordenou a forças sediadas em Braga para avançarem sobre o Porto, no que não foi obedecido, já que estas já tinham aderido ao golpe.

À Escola Prática de Cavalaria, que partiu de Santarém, coube o papel mais importante: a ocupação do Terreiro do Paço. As forças da Escola Prática de Cavalaria eram comandadas pelo então Capitão Salgueiro Maia. 
O Terreiro do Paço foi ocupado às primeiras horas da manhã. Salgueiro Maia moveu, mais tarde, parte das suas forças para o Quartel do Carmo onde se encontrava o chefe do governo, Marcelo Caetano, que ao final do dia se rendeu, fazendo, contudo, a exigência de entregar o poder ao General António de Spínola, que não fazia parte do MFA, para que o "poder não caísse na rua". Marcelo Caetano partiu, depois, para a Madeira, rumo ao exílio no Brasil.
A revolução resultou na morte de 4 pessoas, quando elementos da polícia política (PIDE) dispararam sobre um grupo que se manifestava à porta das suas instalações na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa.
O cravo vermelho tornou-se o símbolo da Revolução de Abril de 1974. Segundo se conta, foi uma florista que iniciou a distribuição dos cravos vermelhos pelos populares, chegando por meio destes aos soldados, que os colocaram nos canos das espingardas. Devido a esse acontecimento esta revolução também é conhecida como "A Revolução dos Cravos".

No dia seguinte, forma-se a Junta de Salvação Nacional, constituída por militares, e que procederá a um governo de transição. 
O essencial do programa do MFA é, amiúde, resumido no programa dos três D: Democratizar, Descolonizar, Desenvolver.

Entre as medidas imediatas da revolução contam-se a extinção da polícia política (PIDE/DGS) e da Censura. Os sindicatos livres e os partidos foram legalizados. Só no dia 26 foram libertados os presos políticos, da Prisão de Caxias e de Peniche.
Os líderes políticos da oposição no exílio voltaram ao país nos dias seguintes. Passada uma semana, o 1.º de Maio foi celebrado legalmente nas ruas pela primeira vez em muitos anos. Em Lisboa reuniram-se cerca de um milhão de pessoas.
Portugal passou por um período conturbado que durou cerca de 2 anos, marcado pela luta e perseguição política entre as facções de esquerda e direita. Foram nacionalizadas as grandes empresas. Foram igualmente "saneadas" e muitas vezes forçadas ao exílio personalidades que se identificavam com o Estado Novo ou não partilhavam da mesma visão política que então se estabelecia para o país. 
No dia 25 de Abril de 1975 realizaram-se as primeiras eleições livres, para a Assembleia Constituinte, que foram ganhas pelo PS. Na sequência dos trabalhos desta assembleia foi elaborada uma nova Constituição, de forte pendor socialista, e estabelecida uma democracia parlamentar de tipo ocidental. A constituição foi aprovada em 1976 pela maioria dos deputados, abstendo-se apenas o CDS. Acabada a guerra colonial, durante o PREC, as colónias africanas e Timor-Leste tornaram-se independentes.
PUBLICADO digitalblueradio às 11:38 | LINK DO POST
QUEM SOU EU
PESQUISAR NO BLOG
 
Fevereiro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
COMENTÁRIOS
acho que deve ser respeitada... http://www.goiasc...
vc que é de maior tem face e whatsaap vem encontra...
a discografia tem um ep com o titulo errado, onde ...
Armando Gama fomos contemporâneos no Salvador Corr...
A juventude nos leva a caminhos ruins , e procuram...
A primeira fotografia é da Praça Marquês de Pombal...
Eu gosto de ti Beto adorei cd foi muito bom ele é ...
GANHA MENSALMENTE COMO PRESIDENTE DA COMISSÃO EURO...
Que feio!Foi no meu blog, pegou meu texto, modific...
E um meio de sobrevive
blogs SAPO