O MELHOR DE TODOS OS TEMPOS
 Conta-se que havia certa vez um pescador chamado Abdala, que tinha mulher e nove filhos para sustentar e era muito pobre. 
A sua rede constituía o seu único sustento.
Lançava-a ao mar todos os dias, vendia o que apanhava e gastava o que recebia, dizendo: "O pão de amanhã virá amanhã." 
 Chegou um dia em que a mulher deu à luz um décimo menino (os seus outros nove filhos eram também homens), e não havia em casa sequer um pedaço de pão para comer. Abdala saiu, dizendo que iria lançar a rede em nome do recém-nascido. Pediu a bênção de Alá e lançou a rede. Quando a retirou, estava cheia de estrume, areia, cascalhos e algas marinhas, sem uma sombra de peixe. Surpreendido, lançou a rede noutro lado. Quando quis retirá-la, estava muito pesada. Nela encontrou um burro morto. 
 O pescador revoltou-se e pensou: "Este azar vem da minha mulher. Quantas vezes lhe disse que o mar nada mais tinha para nos dar e que deveríamos mudar de profissão. Mas ela sempre insistiu que Alá nos ajudaria. Onde está a generosidade de Alá? Simbolizará este asno morto o destino do meu último filho?" 
Por um tempo, Abdala ficou paralisado pela decepção, mas acabou por reagir, pediu perdão a Deus por suas dúvidas, e jogou mais uma vez a rede ao mar. Sentiu-a mais pesada ainda do que da segunda vez. Depois de trazê-la para a costa com muitos esforços, teve a estupefacção de encontrar nela um ser humano, um filho de Adão que tinha cabeça, face, barba, corpo e braços como os outros homens, mas acabava em rabo de peixe.
 Abdala não teve dúvida de que estava na presença de um Afrit, um daqueles que se tinham rebelado contra o mestre Soleiman e tinham sido encarcerado num barril de cobre e jogado ao mar. Com o tempo, pensou o pescador, o metal apodreceu; o Afrit escapou e segurou-se na minha rede para vir para terra. E pôs-se a correr na praia, aterrorizado e a gritar: "Tem pena de mim, tem pena de mim, ó Afrit de Soleiman!" Mas o homem da rede chamou-o: "Vem cá, ó pescador, e não tenhas medo. Eu não sou nem Afrit nem Marid nem Ghul. Sou um homem como tu. Se me ajudares a sair desta rede, cumular-te-ei com riquezas." 
 O pescador acalmou-se e aproximou-se com prudência da estranha criatura. E esta repetiu: "Não sou nem Afrit nem Marid nem Ghul. Sou um homem que crê em Alá e em Maomé, seu profeta.
- E quem te atirou ao mar?
- Ninguém. Eu nasci lá. Sou um dos filhos do mar, um povo numeroso que vive nas profundezas marítimas. Vivemos no mar como vós viveis na terra e como os pássaros vivem no ar. Somos muçulmanos e seguimos os preceitos do Livro. A tua rede apanhou-me, e agora quero ser-te útil. Aceitas entrar num pacto comigo pelo qual cada um jura ser amigo do outro, dar e receber presentes? Por exemplo, tu virias aqui todos os dias trazendo-me as frutas da terra: uvas, figos, melancia, melão, pêssegos, ameixas, romãs, bananas, tâmaras. E eu te traria os frutos do mar: coral, pérolas, crisólitos, águas-marinhas, esmeraldas, safiras, rubis. Encheria a própria cesta na qual tu me trarias frutas. 
 Aceitas?
- Quem não aceitaria? respondeu o pescador com alegria. Mas, primeiro, vamos selar nosso pacto com a autoridade da Fatiha.
O homem do mar concordou, e os dois recitaram a primeira surá do Alcorão em alta voz. Então, Abdala libertou o seu cativo.
- Qual é o teu nome? Perguntou-lhe
- Abdala, respondeu o homem do mar. Se, por acaso, não me encontrares aqui quando vieres pela manhã, chama-me por este nome e logo sairei das águas e virei a teu encontro. E qual é o teu nome, meu irmão?
- Chamo-me também Abdala.
- Que auspiciosa coincidência, gritou o outro. Tu és Abdala Terra e eu sou Abdala Mar. Espera que vou-te dar já um primeiro presente.
 E o homem mergulhou no mar. Quando saiu após um momento, as suas duas mãos estavam carregadas de pérolas, corais, esmeraldas, rubis e outras pedras preciosas, que ofereceu ao pescador, dizendo: "Lamento que seja tão pouco hoje porque não disponho de cestas. Mas quando me trouxeres uma cesta, enchê-la-ei. E não te esqueças do nosso pacto. Volta para cá a cada levantar do sol." Depois, despediu-se do pescador e desa-pareceu no mar. Abdala estava maravilhado. 
 Voltou para a cidade, bêbado de alegria. Parou à porta do padeiro que tinha sido bom para com ele nos dias sombrios. "Irmão," disse-lhe, "a fortuna começa a andar no meu caminho. Tu sempre me disseste: "Se tens pouco dinheiro, paga o que podes. Se nada tens, leva todo o pão de que precisas para tua família e paga-me quando a prosperidade descobrir o caminho de tua casa." Meu bom amigo, a prosperidade já é meu conviva. Contudo, o que te ofereço hoje é pouco em vista de tua cordialidade quando a necessidade me esmagava. Aceita este presente agora. Muito mais virá."
Falando assim, o pescador ofereceu ao padeiro mais de metade das jóias que Abdala Mar lhe trouxera. Pediu-lhe algum dinheiro, e foi ao mercado comprar carne, vegetais, frutas e doces. Abdala contou à mulher tudo que lhe acontecera e, cedo no dia seguinte, voltou à praia carregando um cesto cheio de todas as frutas. Não vendo Abdala Mar, bateu as mãos e chamou: "Onde estás, Abdala Mar?" Imediatamente, uma voz respondeu-lhe: “Aqui estou." 
 E logo apareceu e recebeu com agradecimentos o cesto de frutas. Mergulhou e voltou com o cesto carregado de esmeraldas, águas-marinhas, topázios, diamantes e os demais frutos esplêndidos do oceano. Na volta, Abdala Terra deu a metade do cesto ao padeiro. Depois, escolheu as amostras mais finas de cada espécie e cor e levou-as aos joalheiros do mercado.
O joalheiro perguntou-lhe: "Tens mais dessas?"
Respondeu Abdala: "Tenho um cesto cheio."
- Prendei este homem, gritou. É o ladrão que roubou as jóias da rainha.
Juntaram-se todos os joalheiros, e cada um atribuiu ao pescador algum roubo de jóias cujo autor não fora identificado. Abdala guardou silêncio, nem confirmando, nem negando as acusações. Deixou-se levar ao sultão, os joalheiros, esperavam vê-lo confessar os crimes e ser enforcado na hora. Disse o sultão ao seu eunuco-chefe: "Leva estas jóias á tua ama, rogando lhe dizer se são as jóias que perdeu." Ao ver as jóias, a rainha ficou maravilhada e respondeu: "Não são minhas. Eu encontrei meu colar. Estas são bem mais belas que as minhas e não têm iguais no mundo. Corre, ó eunuco, e pede ao rei para comprar um colar destes para nossa filha Ikbal."

 Quando o rei ouviu a resposta da rainha, censurou duramente o os joalheiros por terem mandado prender e maltratado um homem inocente.
- Ó rei, nós sabíamos que este homem era um pobre pescador; assim, quando vimos com estas jóias e soubemos que possuía ainda um cesto cheio delas, concluímos que essa riqueza era grande demais para ser adquirida honestamente.
Essa resposta enfureceu o rei ainda mais. Gritou: "Ó mentes vulgares, ó heréticos, ó almas presas à terra! Não sabeis que qualquer fortuna, não importa quão maravilhosa e repentina, é possibilidade no destino de todo verdadeiro crente? Desgraçados, tivestes a impudência de condenar este homem sem interrogá-lo e sem nada verificar sob o texto absurdo de que tal riqueza era grande demais para ele. Vós o tratastes de ladrão e o desonrastes. Não pensastes um minuto em Alá que distribui seus favores sem a mesquinhez comum aos joalheiros? Sumi da minha frente e possa Alá recusar-vos suas dádivas."
 Após consolar Abdala, o rei perguntou-lhe como havia obtido esses tesouros. Abdala contou-lhe toda a sua aventura com o homem do mar e o pacto que fizeram. O rei maravilhou-se com a generosidade de Alá para com seus fiéis, e disse ao pescador: "Esta fortuna estava escrita no teu destino. Devo apenas avisar-te que as riquezas precisam de protecção e que um homem rico deve ocupar uma alta posição. Querendo defender-te contra as incertezas do futuro, casar-te-ei com minha filha única Ikbal, que já está na idade certa, e nomear-te-ei meu vizir, ligando-te assim ao trono antes de minha morte."
 E assim foi feito.
Abdala, que fora um pescador era agora vizir do rei, desempenhou-se de suas novas funções a contento de todos e nunca esqueceu de carregar as frutas de cada estação a seu amigo Abdala Mar em troca de pedras e metais preciosos. Assim, todas as manhãs as  suas riquezas aumentavam.
Um dia, os dois Abdalas conversavam na praia, e Abdala Terra perguntou a Abdala Mar: "Nunca me falaste do teu país. Ele é belo?" Respondeu Abdala Mar: "É muito belo. Se quiseres, posso levar-te comigo às profundezas do mar e mostrar-te as suas inúmeras maravilhas. Visitarás a minha casa e serás meu hóspede."
- Mas como poderei sobreviver no mar? Eu morreria afogado. Eu nasci para viver na terra.
- Não te preocupes com isso. Dar-te-ei um unguento que, passado no teu corpo, permitir-te-á permanecer comigo no mar tanto tempo quanto desejares sem te prejudicar de maneira alguma.
Abdala Terra concordou, e o seu companheiro mergulhou e voltou logo com o unguento. E os dois amigos entraram juntos no mar. Quando atingiram as profundezas, Abdala Terra abriu os olhos e viu campinas marinhas que nenhum olho terrestre havia visto desde a aurora dos tempos. Viu florestas de coral vermelho, de coral branco, de coral cor-de-rosa. Viu cavernas de diamantes sustentadas por pilares de rubi, crisólitos, berilo, topázio, ouro. Viu peixes como flores, peixes como frutas, peixes como pássaros, andou entre montes de pérolas, esmeraldas, ouro, diamantes.
 Deslumbrado, Abdala Terra perguntou a Abdala Mar: "Será que existem cidades no teu país, similares às cidades da terra?" "Se há cidades? Pela vida do Profeta, se passasses mil anos connosco, mostrar-te-ia uma nova cidade por dia e em cada cidade mil maravilhas - e não terias visto dez por cento das cidades do meu país... Como o nosso tempo é limitado, quero que visites agora a minha cidade e conheças a minha família."
E Abdala Mar levou o seu companheiro através dos espaços marítimos até que chegaram á sua cidade. 
 Parou diante de uma casa e disse-lhe: "Entra, irmão. Este é o meu lar." E chamou a filha. Logo apareceu uma linda adolescente cujo longo cabelo flutuava na água, grandes olhos verdes e um corpo delgado, mas o corpo terminava com uma cauda. "Pai, quem é ?" "Este é o meu amigo Abdala Terra que me tem trazido aquelas frutas de que tanto gostas,"  entretanto  apareceu na soleira da porta a mulher de Abdala Mar, carregando duas crianças nos braços. Enquanto falavam, entraram dez altos e vigorosos homens-mar e disseram ao dono da casa: "Nosso rei ouviu falar no teu convidado sem-cauda e deseja conhecê-lo e ver como é feito. Pois ouviu dizer que tem alguma coisa extraordinária atrás e outra coisa ainda mais extraordinária na frente." Os dois Abdala foram logo ao palácio real. 
 Ao ver o homem da terra, o rei sorriu e exclamou: "Como acontece de não teres cauda, ó visitante de outro mundo?"
- Não sei, Majestade. Todos os homens da terra são como eu.
- E como chamas essa coisa que tens no lugar da cauda atrás?
- Alguns chamam traseiro; outros chamam nádegas; 
- E para que serve?
- Para sentar-se nela quando se está cansado. 
- E como chamas essa coisa que tens na frente?
- Zib, respondeu Abdala.
- E para que serve?
- Para muitas coisas que não posso explicar por respeito a Vossa Majestade. Posso apenas adiantar que no nosso mundo nada é mais apreciado num homem que um bom e poderoso zib. 
O rei e a sua corte riram mais do que nunca a essas respostas. E Abdala Terra levantou os braços ao céu, dizendo: "Glorificado Alá que criou o traseiro para ser uma glória num mundo e um motivo de escárnio num outro."
 Finalmente, disse o rei: "podes pedir o que quiseres, é uma oferta do nosso país." "Só tenho dois pedidos, Majestade;" respondeu o visitante: "ser devolvido à terra, e levar comigo muitas das jóias do mar."
O rei disse-lhe: "Podes levar tudo que conseguires carregar." Abdala voltou à terra sob o peso das mil jóias que conseguiu carregar, visitou o seu rei, contou-lhe a história da sua visita marinha e ofereceu-lhe muitas das jóias trazidas. O rei ficou encantado. E todos viveram em paz e felizes até que foram visitados pelo demónio da morte, demolidor das alegrias e separador dos amigos.
 O provérbio diz: “ Copo que cai, nem sempre permanece inteiro."


PUBLICADO digitalblueradio às 14:38 | LINK DO POST
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 Conta-se que havia certa vez um pescador chamado Abdala, que tinha mulher e nove filhos para sustentar e era muito pobre. 
A sua rede constituía o seu único sustento.
Lançava-a ao mar todos os dias, vendia o que apanhava e gastava o que recebia, dizendo: "O pão de amanhã virá amanhã." 
 Chegou um dia em que a mulher deu à luz um décimo menino (os seus outros nove filhos eram também homens), e não havia em casa sequer um pedaço de pão para comer. Abdala saiu, dizendo que iria lançar a rede em nome do recém-nascido. Pediu a bênção de Alá e lançou a rede. Quando a retirou, estava cheia de estrume, areia, cascalhos e algas marinhas, sem uma sombra de peixe. Surpreendido, lançou a rede noutro lado. Quando quis retirá-la, estava muito pesada. Nela encontrou um burro morto. 
 O pescador revoltou-se e pensou: "Este azar vem da minha mulher. Quantas vezes lhe disse que o mar nada mais tinha para nos dar e que deveríamos mudar de profissão. Mas ela sempre insistiu que Alá nos ajudaria. Onde está a generosidade de Alá? Simbolizará este asno morto o destino do meu último filho?" 
Por um tempo, Abdala ficou paralisado pela decepção, mas acabou por reagir, pediu perdão a Deus por suas dúvidas, e jogou mais uma vez a rede ao mar. Sentiu-a mais pesada ainda do que da segunda vez. Depois de trazê-la para a costa com muitos esforços, teve a estupefacção de encontrar nela um ser humano, um filho de Adão que tinha cabeça, face, barba, corpo e braços como os outros homens, mas acabava em rabo de peixe.
 Abdala não teve dúvida de que estava na presença de um Afrit, um daqueles que se tinham rebelado contra o mestre Soleiman e tinham sido encarcerado num barril de cobre e jogado ao mar. Com o tempo, pensou o pescador, o metal apodreceu; o Afrit escapou e segurou-se na minha rede para vir para terra. E pôs-se a correr na praia, aterrorizado e a gritar: "Tem pena de mim, tem pena de mim, ó Afrit de Soleiman!" Mas o homem da rede chamou-o: "Vem cá, ó pescador, e não tenhas medo. Eu não sou nem Afrit nem Marid nem Ghul. Sou um homem como tu. Se me ajudares a sair desta rede, cumular-te-ei com riquezas." 
 O pescador acalmou-se e aproximou-se com prudência da estranha criatura. E esta repetiu: "Não sou nem Afrit nem Marid nem Ghul. Sou um homem que crê em Alá e em Maomé, seu profeta.
- E quem te atirou ao mar?
- Ninguém. Eu nasci lá. Sou um dos filhos do mar, um povo numeroso que vive nas profundezas marítimas. Vivemos no mar como vós viveis na terra e como os pássaros vivem no ar. Somos muçulmanos e seguimos os preceitos do Livro. A tua rede apanhou-me, e agora quero ser-te útil. Aceitas entrar num pacto comigo pelo qual cada um jura ser amigo do outro, dar e receber presentes? Por exemplo, tu virias aqui todos os dias trazendo-me as frutas da terra: uvas, figos, melancia, melão, pêssegos, ameixas, romãs, bananas, tâmaras. E eu te traria os frutos do mar: coral, pérolas, crisólitos, águas-marinhas, esmeraldas, safiras, rubis. Encheria a própria cesta na qual tu me trarias frutas. 
 Aceitas?
- Quem não aceitaria? respondeu o pescador com alegria. Mas, primeiro, vamos selar nosso pacto com a autoridade da Fatiha.
O homem do mar concordou, e os dois recitaram a primeira surá do Alcorão em alta voz. Então, Abdala libertou o seu cativo.
- Qual é o teu nome? Perguntou-lhe
- Abdala, respondeu o homem do mar. Se, por acaso, não me encontrares aqui quando vieres pela manhã, chama-me por este nome e logo sairei das águas e virei a teu encontro. E qual é o teu nome, meu irmão?
- Chamo-me também Abdala.
- Que auspiciosa coincidência, gritou o outro. Tu és Abdala Terra e eu sou Abdala Mar. Espera que vou-te dar já um primeiro presente.
 E o homem mergulhou no mar. Quando saiu após um momento, as suas duas mãos estavam carregadas de pérolas, corais, esmeraldas, rubis e outras pedras preciosas, que ofereceu ao pescador, dizendo: "Lamento que seja tão pouco hoje porque não disponho de cestas. Mas quando me trouxeres uma cesta, enchê-la-ei. E não te esqueças do nosso pacto. Volta para cá a cada levantar do sol." Depois, despediu-se do pescador e desa-pareceu no mar. Abdala estava maravilhado. 
 Voltou para a cidade, bêbado de alegria. Parou à porta do padeiro que tinha sido bom para com ele nos dias sombrios. "Irmão," disse-lhe, "a fortuna começa a andar no meu caminho. Tu sempre me disseste: "Se tens pouco dinheiro, paga o que podes. Se nada tens, leva todo o pão de que precisas para tua família e paga-me quando a prosperidade descobrir o caminho de tua casa." Meu bom amigo, a prosperidade já é meu conviva. Contudo, o que te ofereço hoje é pouco em vista de tua cordialidade quando a necessidade me esmagava. Aceita este presente agora. Muito mais virá."
Falando assim, o pescador ofereceu ao padeiro mais de metade das jóias que Abdala Mar lhe trouxera. Pediu-lhe algum dinheiro, e foi ao mercado comprar carne, vegetais, frutas e doces. Abdala contou à mulher tudo que lhe acontecera e, cedo no dia seguinte, voltou à praia carregando um cesto cheio de todas as frutas. Não vendo Abdala Mar, bateu as mãos e chamou: "Onde estás, Abdala Mar?" Imediatamente, uma voz respondeu-lhe: “Aqui estou." 
 E logo apareceu e recebeu com agradecimentos o cesto de frutas. Mergulhou e voltou com o cesto carregado de esmeraldas, águas-marinhas, topázios, diamantes e os demais frutos esplêndidos do oceano. Na volta, Abdala Terra deu a metade do cesto ao padeiro. Depois, escolheu as amostras mais finas de cada espécie e cor e levou-as aos joalheiros do mercado.
O joalheiro perguntou-lhe: "Tens mais dessas?"
Respondeu Abdala: "Tenho um cesto cheio."
- Prendei este homem, gritou. É o ladrão que roubou as jóias da rainha.
Juntaram-se todos os joalheiros, e cada um atribuiu ao pescador algum roubo de jóias cujo autor não fora identificado. Abdala guardou silêncio, nem confirmando, nem negando as acusações. Deixou-se levar ao sultão, os joalheiros, esperavam vê-lo confessar os crimes e ser enforcado na hora. Disse o sultão ao seu eunuco-chefe: "Leva estas jóias á tua ama, rogando lhe dizer se são as jóias que perdeu." Ao ver as jóias, a rainha ficou maravilhada e respondeu: "Não são minhas. Eu encontrei meu colar. Estas são bem mais belas que as minhas e não têm iguais no mundo. Corre, ó eunuco, e pede ao rei para comprar um colar destes para nossa filha Ikbal."

 Quando o rei ouviu a resposta da rainha, censurou duramente o os joalheiros por terem mandado prender e maltratado um homem inocente.
- Ó rei, nós sabíamos que este homem era um pobre pescador; assim, quando vimos com estas jóias e soubemos que possuía ainda um cesto cheio delas, concluímos que essa riqueza era grande demais para ser adquirida honestamente.
Essa resposta enfureceu o rei ainda mais. Gritou: "Ó mentes vulgares, ó heréticos, ó almas presas à terra! Não sabeis que qualquer fortuna, não importa quão maravilhosa e repentina, é possibilidade no destino de todo verdadeiro crente? Desgraçados, tivestes a impudência de condenar este homem sem interrogá-lo e sem nada verificar sob o texto absurdo de que tal riqueza era grande demais para ele. Vós o tratastes de ladrão e o desonrastes. Não pensastes um minuto em Alá que distribui seus favores sem a mesquinhez comum aos joalheiros? Sumi da minha frente e possa Alá recusar-vos suas dádivas."
 Após consolar Abdala, o rei perguntou-lhe como havia obtido esses tesouros. Abdala contou-lhe toda a sua aventura com o homem do mar e o pacto que fizeram. O rei maravilhou-se com a generosidade de Alá para com seus fiéis, e disse ao pescador: "Esta fortuna estava escrita no teu destino. Devo apenas avisar-te que as riquezas precisam de protecção e que um homem rico deve ocupar uma alta posição. Querendo defender-te contra as incertezas do futuro, casar-te-ei com minha filha única Ikbal, que já está na idade certa, e nomear-te-ei meu vizir, ligando-te assim ao trono antes de minha morte."
 E assim foi feito.
Abdala, que fora um pescador era agora vizir do rei, desempenhou-se de suas novas funções a contento de todos e nunca esqueceu de carregar as frutas de cada estação a seu amigo Abdala Mar em troca de pedras e metais preciosos. Assim, todas as manhãs as  suas riquezas aumentavam.
Um dia, os dois Abdalas conversavam na praia, e Abdala Terra perguntou a Abdala Mar: "Nunca me falaste do teu país. Ele é belo?" Respondeu Abdala Mar: "É muito belo. Se quiseres, posso levar-te comigo às profundezas do mar e mostrar-te as suas inúmeras maravilhas. Visitarás a minha casa e serás meu hóspede."
- Mas como poderei sobreviver no mar? Eu morreria afogado. Eu nasci para viver na terra.
- Não te preocupes com isso. Dar-te-ei um unguento que, passado no teu corpo, permitir-te-á permanecer comigo no mar tanto tempo quanto desejares sem te prejudicar de maneira alguma.
Abdala Terra concordou, e o seu companheiro mergulhou e voltou logo com o unguento. E os dois amigos entraram juntos no mar. Quando atingiram as profundezas, Abdala Terra abriu os olhos e viu campinas marinhas que nenhum olho terrestre havia visto desde a aurora dos tempos. Viu florestas de coral vermelho, de coral branco, de coral cor-de-rosa. Viu cavernas de diamantes sustentadas por pilares de rubi, crisólitos, berilo, topázio, ouro. Viu peixes como flores, peixes como frutas, peixes como pássaros, andou entre montes de pérolas, esmeraldas, ouro, diamantes.
 Deslumbrado, Abdala Terra perguntou a Abdala Mar: "Será que existem cidades no teu país, similares às cidades da terra?" "Se há cidades? Pela vida do Profeta, se passasses mil anos connosco, mostrar-te-ia uma nova cidade por dia e em cada cidade mil maravilhas - e não terias visto dez por cento das cidades do meu país... Como o nosso tempo é limitado, quero que visites agora a minha cidade e conheças a minha família."
E Abdala Mar levou o seu companheiro através dos espaços marítimos até que chegaram á sua cidade. 
 Parou diante de uma casa e disse-lhe: "Entra, irmão. Este é o meu lar." E chamou a filha. Logo apareceu uma linda adolescente cujo longo cabelo flutuava na água, grandes olhos verdes e um corpo delgado, mas o corpo terminava com uma cauda. "Pai, quem é ?" "Este é o meu amigo Abdala Terra que me tem trazido aquelas frutas de que tanto gostas,"  entretanto  apareceu na soleira da porta a mulher de Abdala Mar, carregando duas crianças nos braços. Enquanto falavam, entraram dez altos e vigorosos homens-mar e disseram ao dono da casa: "Nosso rei ouviu falar no teu convidado sem-cauda e deseja conhecê-lo e ver como é feito. Pois ouviu dizer que tem alguma coisa extraordinária atrás e outra coisa ainda mais extraordinária na frente." Os dois Abdala foram logo ao palácio real. 
 Ao ver o homem da terra, o rei sorriu e exclamou: "Como acontece de não teres cauda, ó visitante de outro mundo?"
- Não sei, Majestade. Todos os homens da terra são como eu.
- E como chamas essa coisa que tens no lugar da cauda atrás?
- Alguns chamam traseiro; outros chamam nádegas; 
- E para que serve?
- Para sentar-se nela quando se está cansado. 
- E como chamas essa coisa que tens na frente?
- Zib, respondeu Abdala.
- E para que serve?
- Para muitas coisas que não posso explicar por respeito a Vossa Majestade. Posso apenas adiantar que no nosso mundo nada é mais apreciado num homem que um bom e poderoso zib. 
O rei e a sua corte riram mais do que nunca a essas respostas. E Abdala Terra levantou os braços ao céu, dizendo: "Glorificado Alá que criou o traseiro para ser uma glória num mundo e um motivo de escárnio num outro."
 Finalmente, disse o rei: "podes pedir o que quiseres, é uma oferta do nosso país." "Só tenho dois pedidos, Majestade;" respondeu o visitante: "ser devolvido à terra, e levar comigo muitas das jóias do mar."
O rei disse-lhe: "Podes levar tudo que conseguires carregar." Abdala voltou à terra sob o peso das mil jóias que conseguiu carregar, visitou o seu rei, contou-lhe a história da sua visita marinha e ofereceu-lhe muitas das jóias trazidas. O rei ficou encantado. E todos viveram em paz e felizes até que foram visitados pelo demónio da morte, demolidor das alegrias e separador dos amigos.
 O provérbio diz: “ Copo que cai, nem sempre permanece inteiro."


PUBLICADO digitalblueradio às 14:38 | LINK DO POST
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Ao inspeccionar certo dia o seu reino, acompanhado pelo seu vizir Jafar, o califa Harun Ar-Rachid viu, sendo retirado do rio Tigre, o corpo de uma mulher assassinada. 
O califa comoveu-se e disse a Jafar: "Se não descobrires o assassino desta pobre mulher, serás enforcado no seu lugar."
  Jafar teve sorte, pois o assassino apresentou-se por si mesmo ao califa e contou a seguinte história: "Sabei, ó Comandante dos Fiéis, que esta mulher era minha mulher, mãe dos meus três filhos. Amava-a, e ela amava-me. No início deste mês, adoeceu e disse-me: Tenho, o desejo de comer uma maçã. 

Corri ao mercado, determinado a comprar maçãs. 
Mas não havia maçãs no mercado. Mas um agricultor disse-me: Esta fruta é rara. Só pode ser encontrada em Basra no jardim do califa. "Por amor à minha mulher fiz a viagem até Basra em quinze dias e quinze noites. E convenci o jardineiro do califa a  vender-me três maçãs. 
 Ao voltar, encontrei minha mulher ainda mais doente. Colocou as três maçãs de lado e não as comeu. "Fui à minha loja e comecei a comprar e vender quando vi passar um negro alto e forte, segurando na mão uma das três maçãs. Disse-lhe: Ó bom escravo, conta-me onde conseguiste esta maçã para que consiga outra igual para mim.' Respondeu: Foi-me dada por minha amante. Voltei ontem de viagem e fui visitá-la. Encontrei-a doente com três maçãs a seu ladoe deu-me esta, comi e bebi com ela, e fiquei com uma das três maçãs.
 Ao ouvir estas palavras, ó Comandante dos Fiéis, o mundo ficou preto aos meus olhos. Fechei a minha loja e voltei para casa. 
Lá, vi apenas duas maçãs. Onde está a outra maçã? perguntei à minha mulher. Respondeu que não sabia. "Convenci-me de que as palavras do escravo eram verdadeiras e, na minha raiva, saquei do meu punhal, matei a minha mulher e joguei-a ao rio Tigre. 
 De volta para casa, vi o meu filho mais velho a chorar. "Porque estás a  chorar filho? Perguntei-lhe , respondeu: “ comi uma das três maçãs da mãe para brincar com ela; mas um negro alto e forte arrancou-a das minhas mãos. Chorei e contei-lhe que o meu pai tinha ido até Basra comprar três maçãs para curar a doença da minha mãe. Mas ele não ligou. Levou a maçã e foi-se embora.
 Aí, entendi e lamentei meu erro. Mas era tarde demais. Sou culpado. Mereço a morte, ó Comandante dos Fiéis," concluiu o comerciante.
O califa ficou furioso contra o escravo caluniador e mandou Jafar descobri-lo. "Senão, serás enforcado no seu lugar.”
Jafar não teve sorte desta vez. Procurou em vão pelo escravo criminoso. No terceiro dia, estava-se a despedir da família antes de se apresentar à forca quando, ao abraçar a filha, sentiu algo redondo dentro da sua roupa.
- O que é isto, minha filha? perguntou.
- É uma maçã , respondeu. Rohan, o nosso escravo, trouxe-a há quatro dias e deu-me.
Jafar chamou o seu escravo e perguntou-lhe: "Onde conseguiste esta maçã?

Respondeu: "Ó meu amo, a mentira às vezes salva-nos. Mas eu falarei a verdade. Há cinco dias, passava na rua, vi-a nas mãos de um menino e arranquei-a. O miudo chorou e disse que o seu pai tinha ido até Basra comprar três maçãs para curar a mãe doente. Mas não me importei. Trouxe a maçã e dei-a á menina.
Jafar ficou abismado ao saber que toda a tragédia tinha sido causada pelo seu escravo. 
Levou o escravo ao califa e fê-lo repetir a história. O califa maravilhou-se com tantas coincidências e riu até que as lágrimas lhe vieram aos olhos. Perdoou o escravo e deu um rico presente ao viúvo infeliz.
 
PUBLICADO digitalblueradio às 13:24 | LINK DO POST
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Ao inspeccionar certo dia o seu reino, acompanhado pelo seu vizir Jafar, o califa Harun Ar-Rachid viu, sendo retirado do rio Tigre, o corpo de uma mulher assassinada. 
O califa comoveu-se e disse a Jafar: "Se não descobrires o assassino desta pobre mulher, serás enforcado no seu lugar."
  Jafar teve sorte, pois o assassino apresentou-se por si mesmo ao califa e contou a seguinte história: "Sabei, ó Comandante dos Fiéis, que esta mulher era minha mulher, mãe dos meus três filhos. Amava-a, e ela amava-me. No início deste mês, adoeceu e disse-me: Tenho, o desejo de comer uma maçã. 

Corri ao mercado, determinado a comprar maçãs. 
Mas não havia maçãs no mercado. Mas um agricultor disse-me: Esta fruta é rara. Só pode ser encontrada em Basra no jardim do califa. "Por amor à minha mulher fiz a viagem até Basra em quinze dias e quinze noites. E convenci o jardineiro do califa a  vender-me três maçãs. 
 Ao voltar, encontrei minha mulher ainda mais doente. Colocou as três maçãs de lado e não as comeu. "Fui à minha loja e comecei a comprar e vender quando vi passar um negro alto e forte, segurando na mão uma das três maçãs. Disse-lhe: Ó bom escravo, conta-me onde conseguiste esta maçã para que consiga outra igual para mim.' Respondeu: Foi-me dada por minha amante. Voltei ontem de viagem e fui visitá-la. Encontrei-a doente com três maçãs a seu ladoe deu-me esta, comi e bebi com ela, e fiquei com uma das três maçãs.
 Ao ouvir estas palavras, ó Comandante dos Fiéis, o mundo ficou preto aos meus olhos. Fechei a minha loja e voltei para casa. 
Lá, vi apenas duas maçãs. Onde está a outra maçã? perguntei à minha mulher. Respondeu que não sabia. "Convenci-me de que as palavras do escravo eram verdadeiras e, na minha raiva, saquei do meu punhal, matei a minha mulher e joguei-a ao rio Tigre. 
 De volta para casa, vi o meu filho mais velho a chorar. "Porque estás a  chorar filho? Perguntei-lhe , respondeu: “ comi uma das três maçãs da mãe para brincar com ela; mas um negro alto e forte arrancou-a das minhas mãos. Chorei e contei-lhe que o meu pai tinha ido até Basra comprar três maçãs para curar a doença da minha mãe. Mas ele não ligou. Levou a maçã e foi-se embora.
 Aí, entendi e lamentei meu erro. Mas era tarde demais. Sou culpado. Mereço a morte, ó Comandante dos Fiéis," concluiu o comerciante.
O califa ficou furioso contra o escravo caluniador e mandou Jafar descobri-lo. "Senão, serás enforcado no seu lugar.”
Jafar não teve sorte desta vez. Procurou em vão pelo escravo criminoso. No terceiro dia, estava-se a despedir da família antes de se apresentar à forca quando, ao abraçar a filha, sentiu algo redondo dentro da sua roupa.
- O que é isto, minha filha? perguntou.
- É uma maçã , respondeu. Rohan, o nosso escravo, trouxe-a há quatro dias e deu-me.
Jafar chamou o seu escravo e perguntou-lhe: "Onde conseguiste esta maçã?

Respondeu: "Ó meu amo, a mentira às vezes salva-nos. Mas eu falarei a verdade. Há cinco dias, passava na rua, vi-a nas mãos de um menino e arranquei-a. O miudo chorou e disse que o seu pai tinha ido até Basra comprar três maçãs para curar a mãe doente. Mas não me importei. Trouxe a maçã e dei-a á menina.
Jafar ficou abismado ao saber que toda a tragédia tinha sido causada pelo seu escravo. 
Levou o escravo ao califa e fê-lo repetir a história. O califa maravilhou-se com tantas coincidências e riu até que as lágrimas lhe vieram aos olhos. Perdoou o escravo e deu um rico presente ao viúvo infeliz.
 
PUBLICADO digitalblueradio às 13:24 | LINK DO POST
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Ao inspeccionar certo dia o seu reino, acompanhado pelo seu vizir Jafar, o califa Harun Ar-Rachid viu, sendo retirado do rio Tigre, o corpo de uma mulher assassinada. 
O califa comoveu-se e disse a Jafar: "Se não descobrires o assassino desta pobre mulher, serás enforcado no seu lugar."
  Jafar teve sorte, pois o assassino apresentou-se por si mesmo ao califa e contou a seguinte história: "Sabei, ó Comandante dos Fiéis, que esta mulher era minha mulher, mãe dos meus três filhos. Amava-a, e ela amava-me. No início deste mês, adoeceu e disse-me: Tenho, o desejo de comer uma maçã. 

Corri ao mercado, determinado a comprar maçãs. 
Mas não havia maçãs no mercado. Mas um agricultor disse-me: Esta fruta é rara. Só pode ser encontrada em Basra no jardim do califa. "Por amor à minha mulher fiz a viagem até Basra em quinze dias e quinze noites. E convenci o jardineiro do califa a  vender-me três maçãs. 
 Ao voltar, encontrei minha mulher ainda mais doente. Colocou as três maçãs de lado e não as comeu. "Fui à minha loja e comecei a comprar e vender quando vi passar um negro alto e forte, segurando na mão uma das três maçãs. Disse-lhe: Ó bom escravo, conta-me onde conseguiste esta maçã para que consiga outra igual para mim.' Respondeu: Foi-me dada por minha amante. Voltei ontem de viagem e fui visitá-la. Encontrei-a doente com três maçãs a seu ladoe deu-me esta, comi e bebi com ela, e fiquei com uma das três maçãs.
 Ao ouvir estas palavras, ó Comandante dos Fiéis, o mundo ficou preto aos meus olhos. Fechei a minha loja e voltei para casa. 
Lá, vi apenas duas maçãs. Onde está a outra maçã? perguntei à minha mulher. Respondeu que não sabia. "Convenci-me de que as palavras do escravo eram verdadeiras e, na minha raiva, saquei do meu punhal, matei a minha mulher e joguei-a ao rio Tigre. 
 De volta para casa, vi o meu filho mais velho a chorar. "Porque estás a  chorar filho? Perguntei-lhe , respondeu: “ comi uma das três maçãs da mãe para brincar com ela; mas um negro alto e forte arrancou-a das minhas mãos. Chorei e contei-lhe que o meu pai tinha ido até Basra comprar três maçãs para curar a doença da minha mãe. Mas ele não ligou. Levou a maçã e foi-se embora.
 Aí, entendi e lamentei meu erro. Mas era tarde demais. Sou culpado. Mereço a morte, ó Comandante dos Fiéis," concluiu o comerciante.
O califa ficou furioso contra o escravo caluniador e mandou Jafar descobri-lo. "Senão, serás enforcado no seu lugar.”
Jafar não teve sorte desta vez. Procurou em vão pelo escravo criminoso. No terceiro dia, estava-se a despedir da família antes de se apresentar à forca quando, ao abraçar a filha, sentiu algo redondo dentro da sua roupa.
- O que é isto, minha filha? perguntou.
- É uma maçã , respondeu. Rohan, o nosso escravo, trouxe-a há quatro dias e deu-me.
Jafar chamou o seu escravo e perguntou-lhe: "Onde conseguiste esta maçã?

Respondeu: "Ó meu amo, a mentira às vezes salva-nos. Mas eu falarei a verdade. Há cinco dias, passava na rua, vi-a nas mãos de um menino e arranquei-a. O miudo chorou e disse que o seu pai tinha ido até Basra comprar três maçãs para curar a mãe doente. Mas não me importei. Trouxe a maçã e dei-a á menina.
Jafar ficou abismado ao saber que toda a tragédia tinha sido causada pelo seu escravo. 
Levou o escravo ao califa e fê-lo repetir a história. O califa maravilhou-se com tantas coincidências e riu até que as lágrimas lhe vieram aos olhos. Perdoou o escravo e deu um rico presente ao viúvo infeliz.
 
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O gato e a raposa andavam a correr o mundo. Eram muito amigos.
- Amigo gato, afinal dizes que és inteligente mas ainda não vi os teus truques para fugir dos cães que andam sempre atrás de nós.

- Sei subir rapidamente ás árvores, é o que me basta, disse o gato. Vivo muito bem assim. Os cães aqui não me apanham.
A raposa deu um sorriso matreiro:
- Pois, só sabes isso? Pois, eu sei 99 truques diferentes! 

Conheço mil manhas, cada uma melhor que a outra. 
Finjo-me de morta, escondo-me  nas folhas secas, nas moitas, corro em zigue-zague, disfarço as minhas pegadas, escondo-me atrás de árvores....
Ela continuaria enumerando todos os seus truques senão ouvisse uma matilha de cães que se aproximava. 

O gato, mais do que rápido, subiu á árvore mais próxima.


A raposa, perseguida de perto, começou a por em prática todos os seus truques mirabolantes... Mas, foi tudo em vão. Os cães acabaram por apanhá-la.
E, lá em cima da árvore, bem seguro, o gato pensou:
"Pobre comadre raposa. É sempre preferível saber bem uma só coisa, a saber mal 99 coisas diversas."

 Moral: Desconfie das estratégias complicadas. A melhor solução para um problema pode ser a mais simples.
PUBLICADO digitalblueradio às 13:06 | LINK DO POST
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O gato e a raposa andavam a correr o mundo. Eram muito amigos.
- Amigo gato, afinal dizes que és inteligente mas ainda não vi os teus truques para fugir dos cães que andam sempre atrás de nós.

- Sei subir rapidamente ás árvores, é o que me basta, disse o gato. Vivo muito bem assim. Os cães aqui não me apanham.
A raposa deu um sorriso matreiro:
- Pois, só sabes isso? Pois, eu sei 99 truques diferentes! 

Conheço mil manhas, cada uma melhor que a outra. 
Finjo-me de morta, escondo-me  nas folhas secas, nas moitas, corro em zigue-zague, disfarço as minhas pegadas, escondo-me atrás de árvores....
Ela continuaria enumerando todos os seus truques senão ouvisse uma matilha de cães que se aproximava. 

O gato, mais do que rápido, subiu á árvore mais próxima.


A raposa, perseguida de perto, começou a por em prática todos os seus truques mirabolantes... Mas, foi tudo em vão. Os cães acabaram por apanhá-la.
E, lá em cima da árvore, bem seguro, o gato pensou:
"Pobre comadre raposa. É sempre preferível saber bem uma só coisa, a saber mal 99 coisas diversas."

 Moral: Desconfie das estratégias complicadas. A melhor solução para um problema pode ser a mais simples.
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O gato e a raposa andavam a correr o mundo. Eram muito amigos.
- Amigo gato, afinal dizes que és inteligente mas ainda não vi os teus truques para fugir dos cães que andam sempre atrás de nós.

- Sei subir rapidamente ás árvores, é o que me basta, disse o gato. Vivo muito bem assim. Os cães aqui não me apanham.
A raposa deu um sorriso matreiro:
- Pois, só sabes isso? Pois, eu sei 99 truques diferentes! 

Conheço mil manhas, cada uma melhor que a outra. 
Finjo-me de morta, escondo-me  nas folhas secas, nas moitas, corro em zigue-zague, disfarço as minhas pegadas, escondo-me atrás de árvores....
Ela continuaria enumerando todos os seus truques senão ouvisse uma matilha de cães que se aproximava. 

O gato, mais do que rápido, subiu á árvore mais próxima.


A raposa, perseguida de perto, começou a por em prática todos os seus truques mirabolantes... Mas, foi tudo em vão. Os cães acabaram por apanhá-la.
E, lá em cima da árvore, bem seguro, o gato pensou:
"Pobre comadre raposa. É sempre preferível saber bem uma só coisa, a saber mal 99 coisas diversas."

 Moral: Desconfie das estratégias complicadas. A melhor solução para um problema pode ser a mais simples.
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 A lenda do galo de Barcelos já é muito antiga. Diz-se que tudo aconteceu no séc. XVI...
Conta a lenda que todos andavam muito assustados em Barcelos por causa de um crime que lá se tinha passado. É que o criminoso ainda não tinha sido descoberto e isso deixava as pessoas com medo.
 Certo dia, apareceu na zona um galego (espanhol da região da Galiza) que passou logo a ser o principal suspeito. As autoridades acharam que era ele o culpado pelo crime e prenderam-no.
O galego defendeu-se, dizendo que ia a caminho de Santiago de Compostela para pagar uma promessa, mas ninguém acreditou nele.
Com toda a gente contra o galego, e ele sem poder provar que estava inocente, acabou por ser condenado à forca.
 Como última vontade, o galego pediu que o levassem até ao juiz que o tinha condenado. Quando o galego chegou a casa do juiz, ele estava a deliciar-se com os amigos com um grande banquete. Voltou a dizer que estava inocente, mas, mais uma vez, ninguém acreditou nele...
 Então, o condenado reparou num galo assado que estava numa travessa na mesa, prontinho para ser comido, e disse:
- É tão certo eu estar inocente como certo é esse galo cantar quando me enforcarem.
Todos se riram da afirmação do homem mas, mesmo assim, resolveram não comer o galo.
Mas, quando chegou a hora de enforcarem o galego, na casa do juiz o galo assado levantou-se e cantou.
 Afinal, o homem estava mesmo inocente!
O juiz correu até ao sítio onde ele estava prestes a ser enforcado e mandou soltá-lo imediatamente.
Passados alguns anos, o galego voltou a Barcelos e mandou construir um monumento em louvor à Virgem e a São Tiago para lhes mostrar o seu reconhecimento.


PUBLICADO digitalblueradio às 16:54 | LINK DO POST
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 A lenda do galo de Barcelos já é muito antiga. Diz-se que tudo aconteceu no séc. XVI...
Conta a lenda que todos andavam muito assustados em Barcelos por causa de um crime que lá se tinha passado. É que o criminoso ainda não tinha sido descoberto e isso deixava as pessoas com medo.
 Certo dia, apareceu na zona um galego (espanhol da região da Galiza) que passou logo a ser o principal suspeito. As autoridades acharam que era ele o culpado pelo crime e prenderam-no.
O galego defendeu-se, dizendo que ia a caminho de Santiago de Compostela para pagar uma promessa, mas ninguém acreditou nele.
Com toda a gente contra o galego, e ele sem poder provar que estava inocente, acabou por ser condenado à forca.
 Como última vontade, o galego pediu que o levassem até ao juiz que o tinha condenado. Quando o galego chegou a casa do juiz, ele estava a deliciar-se com os amigos com um grande banquete. Voltou a dizer que estava inocente, mas, mais uma vez, ninguém acreditou nele...
 Então, o condenado reparou num galo assado que estava numa travessa na mesa, prontinho para ser comido, e disse:
- É tão certo eu estar inocente como certo é esse galo cantar quando me enforcarem.
Todos se riram da afirmação do homem mas, mesmo assim, resolveram não comer o galo.
Mas, quando chegou a hora de enforcarem o galego, na casa do juiz o galo assado levantou-se e cantou.
 Afinal, o homem estava mesmo inocente!
O juiz correu até ao sítio onde ele estava prestes a ser enforcado e mandou soltá-lo imediatamente.
Passados alguns anos, o galego voltou a Barcelos e mandou construir um monumento em louvor à Virgem e a São Tiago para lhes mostrar o seu reconhecimento.


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COMENTÁRIOS
31994042009
Perfeito. Me sinto da mesma forma. Parece que desc...
acho que deve ser respeitada... http://www.goiasc...
vc que é de maior tem face e whatsaap vem encontra...
a discografia tem um ep com o titulo errado, onde ...
Armando Gama fomos contemporâneos no Salvador Corr...
A juventude nos leva a caminhos ruins , e procuram...
A primeira fotografia é da Praça Marquês de Pombal...
Eu gosto de ti Beto adorei cd foi muito bom ele é ...
GANHA MENSALMENTE COMO PRESIDENTE DA COMISSÃO EURO...
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